Aditivos equilibradores da microbiota intestinal - aves | nutriNews Brasil Aditivos equilibradores da microbiota intestinal - aves | nutriNews Brasil


AUTOR(ES)

Túlio Leite Reis

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Flávio Medeiros Vieites

Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

 

Em virtude da alta exigência nutricional, fruto da excelente produtividade tanto da galinha poedeira, quanto do frango de corte atual, esses animais necessitam de um trato digestório capaz de digerir e absorver com grande eficiência. O epitélio intestinal atua também como uma barreira natural contra microrganismos patogênicos e substâncias tóxicas que estão presentes no lúmen intestinal.

Sendo que, a população microbiana intestinal constitui um dos mais complexos ecossistemas da natureza, resultado de uma série de relações entre os microrganismos, o ambiente e o hospedeiro (AJUWON, 2015), a esse conjunto de indivíduos e associações, chamamos de microbioma.

Segundo Macari et al. (2002) a capacidade absortiva do intestino é diretamente proporcional ao tamanho das vilosidades do mesmo, estas vilosidades se constituem de dobramentos da mucosa em direção a luz do órgão, aumentando em centenas de vezes sua área de contato (Figura 1). O lúmen intestinal é revestido com uma única camada de células que passam por uma renovação rápida e contínua (SHIRAZI-BEECHEY et al., 2011). Essas células estão localizadas próximas à base das criptas do órgão e se diferenciam em vários tipos celulares que compõem o lúmen, cada uma contendo diferentes funções:

O vilo é a unidade funcional do intestino, existindo uma alta correlação positiva entre o tamanho da vilosidade e as taxas de absorção dos nutrientes. Já a profundidade da cripta é um indicador importante de saúde do trato gastrointestinal, uma vez que, quando o intestino é lesionado pela ação de microrganismos patogênicos há intensificação do turnover celular na cripta da vilosidade, provocando um aumento da sua profundidade.

Esse processo gera redução da relação entre o tamanho do vilo/profundidade da cripta, uma vez que o vilo irá diminuir seu tamanho, em resposta à lesão, enquanto a cripta aumentará sua profundidade, visando realizar a reparação das células do vilo, promovendo menor volume digestivo e das atividades de digestão e absorção (VISEK, 1978; FURLAN et al., 2004).

Portanto, a manutenção da integridade intestinal é de suma importância para a manutenção da sanidade da ave e das altas taxas produtivas. Na ocorrência de um processo infeccioso, microrganismos patogênicos degradam a mucosa intestinal, aumentando a quantidade de nutrientes necessários para o seu reparo e reduzindo a eficácia da absorção. Segundo Goddeeris (2002) o trato gastrointestinal já necessita naturalmente de um grande aporte de nutrientes para sua manutenção e renovação de celular (cerca de 23% a 36% do total de energia e 23% a 38% de toda a proteína em frangos de corte).

Ocorrendo um processo infeccioso, microrganismos patogênicos degradam a mucosa, aumentando ainda mais a quantidade de nutrientes gastos para seu reparo, além disso, um epitélio lesado reduz a eficácia da absorção.

Obled et al. (2002) apontam que nutrientes (principalmente os aminoácidos: treonina, triptofano e glutamina) são desviados de processos fisiológicos importantes para atuarem na síntese de mecanismos de defesa, deixando de serem utilizados para formação de produtos (carne e ovos).

Microbiota Intestinal

É comprovado que a presença de bactérias intestinais benéficas aumentam o desenvolvimento das criptas, a migração dos enterócitos e o comprimento das vilosidades no intestino delgado (XU e GORDON, 2003). Por outro lado, microrganismos patogênicos provocam efeito contrário, causam distúrbios no microbioma normal e no epitélio intestinal, alterando a permeabilidade dessa barreira natural facilitando a invasão de outros patógenos e de substâncias prejudiciais, que propiciarão alteração do metabolismo, e da capacidade de digerir e absorver nutrientes, culminando em processos inflamatórios crônicos (OLIVEIRA et al., 2000; PELICANO et al., 2005).

A colonização do trato gastrointestinal (TGI) por microrganismos se dá, já nos primeiros momentos após a eclosão do ovo, sendo que a partir do 4o dia existe um aumento na população microbiana que tende a se estabilizar na segunda semana de vida de acordo com as condições do ambiente de criação das aves (CANALLI et al, 1996; MAIORKA et al., 2001).

Existem cerca de 109 a 1014 bactérias/g de intestino das aves, a quantidade de células que constituem a microbiota intestinal é maior que o total de células que a própria ave possui provindas dos seus ossos, penas, bico, órgãos, sistemas, etc. Só esse grau de magnitude já demonstra a importância do microbioma para a saúde e homeostase da ave.

Essa população microbiana é composta principalmente por bactérias aeróbias facultativas (cerca de 90%), que são principalmente Bacillus, Bifidobacterium, Lactobacillus, (FULLER e COLE, 1989; MACARI e MAIORKA, 2000). O restante (cerca de 10%) consistem de Escherichia coli, Proteus spp., Clostridium spp., Staphylococcus spp., Blastomyces spp., Pseudomonas spp., entre outras, que em condições normais vivem em equilíbrio dentro do TGI (SAVAGE et al., 1997).

A microbiota pode viver tanto aderida ao epitélio, quanto em vida livre na luz intestinal e sua população é bastante dinâmica, podendo ser alterada por inúmeros fatores, como: dieta do hospedeiro, presença de O2, temperatura, pH, peristaltismo, produção de ácidos graxos voláteis (ácidos acético, butírico e propiônico), presença de antibióticos, entre outros (SAVAGE et al., 1997).

Segundo Saullu (2007), esta população é bastante variável também entre os órgãos do TGI (Figura 2), no papo (inglúvio) predominam Lactobacillus e Bifidobacterium, que produzem ácido lático e acético, reduzindo o pH e impedindo o crescimento de bactérias patogênicas. No proventrículo e na moela existe uma quantidade menor de microrganismos devido à baixa resistência ao pH extremante ácido desses órgãos (em torno de pH 2,5 no proventrículo e 3,5 na moela). Nos intestinos também ocorre colonização, sendo que a maior concentração de microrganismos se encontra no ceco (intestino grosso).

 

Por esses motivos se adicionam nas dietas de aves de produção aditivos que tenham a capacidade de promover maior saúde intestinal, através da modulação do microbioma intestinal, promovendo assim melhor desempenho, saúde, e qualidade de carne e ovos produzidos. Esses aditivos são chamados de aditivos zootécnicos equilibradores da microbiota intestinal (Compêndio brasileiro de nutrição animal, 2017).

Antibióticos

Existe uma ampla quantidade e variedade de aditivos que atuam promovendo maior saúde do trato gastrointestinal, e os mais comuns e utilizados na avicultura são os antibióticos melhoradores de desempenho, cujo seu início de uso na produção animal data da década de 1940 (NIEWOLD, 2007).





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