Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de tilápia


AUTOR(ES)

Emerson Giuliani Durigon

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil

Tayna Sgnaulin

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Universidade do Oeste de Santa Catarina, Toledo, PR, Brasil

Sara M. Pinho

Doutoranda pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Centro de Aquicultura da Unesp, Jaboticabal, SP, Brasil, Mathematical and Statistical Methods (Biometris), Wageningen University, Wageningen, Netherlands

Jéssica Brol

Mestre em aquicultura pelo Programa de Pós-Graduação em Aquicultura, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brasil

Rafael Lazzari

Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Professor Associado III, Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Maria, Palmeira das Missões, RS, Brasil

Maurício Gustavo Coelho Emerenciano

CSIRO Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, Centro de Pesquisa da Ilha Bribie, Woorim, QLD, Austrália

Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia

 

A aquicultura é uma importante atividade que gera renda e proteína animal de alta qualidade. Em 2018, a produção aquícola mundial foi de 82,1 milhões de toneladas, um crescimento de 6,82% em comparação a 2016 (Food & Agriculture Organization – FAO, 2020).

A piscicultura contribuiu com 66,12% do total produzido e entre os peixes, a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) é a terceira espécie mais produzida (Figuras 1 e 2), com aproximadamente 4.200 mil toneladas despescadas em 2018, representando 8,3% do volume total de peixes neste mesmo ano e 12,45% a mais do que o produzido nos dois anos anteriores (FAO, 2018).

No Brasil, a piscicultura vem ganhando cada vez mais representatividade no agronegócio nacional, mesmo consumindo apenas 1,3 % do total de rações para animais no país. Entre 2014 e 2020, o volume de peixes produzidos passou de 578,80 mil toneladas para 802,93 mil toneladas, representando um crescimento superior a 35% (Peixe BR 2021).

A tilápia é a principal espécie produzida, somente em 2020 mais da metade da produção brasileira foi desta espécie, com 486,15 mil toneladas (60,6% do total) (Figura 3). Este crescimento consolidou o Brasil como o 4º maior produtor mundial, atrás apenas da China, Indonésia e Egito (Peixe BR 2021).

De maneira geral, a produção de tilápias ocorre de forma monofásica, com povoamento direto do alevino até a engorda, ou multifásica, quando há divisão entre as fases de cultivo (alevinagem, recria ou berçário e engorda) (Senar, 2018).

Cultivos multifásicos, por sua vez, possibilitam melhor controle da produção, promovendo maior sobrevivência e uniformidade dos lotes, podendo-se ampliar o número de ciclos anuais de cultivo.

Isto pode ocorrer porque o povoamento do viveiro de engorda ou tanque-rede se dá com animais maiores, conferindo assim um maior controle, maior previsibilidade da despesca e reduzindo o tempo de cultivo nessa fase.

 

No entanto, a disponibilidade de juvenis de boa qualidade para iniciar o processo de engorda é um gargalo na produção de tilápias em sistemas multifásicos.

 

Atualmente, a produção de juvenis em escala e com qualidade, ainda é escasso, tornando seu valor de mercado elevado. Normalmente os cultivos são realizados em viveiros escavados com troca de água continua, o que pode comprometer a biosseguridade facilitando a entrada de patógenos.

Uma opção para o setor ganhar escala, controle e previsibilidade seriam cultivos na fase de berçário em ambientes fechados, intensivos e controlados como os sistemas de recirculação de água (‘RAS’ na sua sigla em inglês), bioflocos ou híbridos (BioRAS).

Essa produção escalonada de juvenis nestes sistemas já ocorre em outras industrias aquícolas como a do salmão e do camarão marinho Litopenaeus vannamei. Na tilapicultura, a adoção dessas novas tecnologias ainda é tímida e pesquisas vem sendo desenvolvidas visando aprimorar esses sistemas e alavancar ainda mais a produção de tilápias.

Como mencionado anteriormente, o sistema de bioflocos (BFT) é um exemplo dessas novas tecnologias (Figura 4). Entre os benefícios desse sistema no cultivo de juvenis de tilápias, destacamos:

nutricionais, pois os agregados de microrganismos ou “bioflocos” produzidos no sistema servem de alimento para os peixes, podendo suprir parte da demanda proteica (Green et al., 2019; Hisano et al., 2019; Durigon et al., 2020);

ambiental, pela baixa ou nula renovação de água; com possibilidade de reuso (Avnimelech e Kochba, 2009);

biossegurança, uma vez que é um cultivo mais biosseguro por demandar menor entrada de água no sistema, reduzindo a entrada de patógenos (cultivos mais controlados) (Avnimelech e Kochba, 2009; Emerenciano et al., 2013b), ou por meio da competição/inibição dos organismos patogênicos pelos microrganismos benéficos do Sistema BFT (Monroy-Dosta et al., 2013).

Este último ponto é extremamente importante na atual situação da tilapicultura que cada vez mais vem sofrendo pela presença de bacterioses como Streptococcus spp. e Aeromonas spp.

Conceitualmente, o BFT consiste em um sistema com mínima troca de água e o fomento do crescimento de microrganismos específicos. Para isso, há necessidade de manipular a relação carbono/nitrogênio (C/N) da água, através da adição de uma fonte externa de carbono em momentos pertinentes durante o ciclo, e fornecer aeração e movimentação constante da água.

Esses microrganismos, principalmente bactérias heterotróficas, bactérias nitrificantes e uma rica comunidade microbiana, reciclam os nutrientes e auxiliam assim na manutenção da qualidade da água. Além disso, como mencionado anteriormente, são fontes complementares de alimentos disponíveis 24h por dia para os animais cultivados.

 

ASPECTOS NUTRICIONAIS DO SISTEMA DE BIOFLOCOS

Além da qualidade dos juvenis, o alto custo das rações é um fator limitante na produção de tilápias. Um dos principais benefícios dos sistemas de bioflocos para a produção de juvenis desta espécie é o consumo dos microrganismos característicos do sistema. O perfil e frequência desses microrganismos são variáveis e dependem de diversos fatores, entre eles:

fonte de carbono utilizada

intensidade luminosa

relação predador x presa

estágio de maturação do flocos, entre outros (Emerenciano et al., 2013a).

Geralmente, na formação dos bioflocos são observadas maiores quantidades de microalgas no início, devido principalmente a uma menor turbidez e maior disponibilidade de luz.





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