Como a moagem dos cereais afeta a eficiência e a saúde nos suínos?

24/09/2019

Nutrição Animal

Revista: nutriNews Brasil 2019

 

Não somente é importante compreender completamente cada método de processamento e seus efeitos, mas também deve-se entender como o processamento influencia:

 

TIPOS DE MOINHOS

Existem dois tipos de moinhos empregados habitualmente para reduzir o tamanho de partícula dos ingredientes, moinhos de cilindros e moinhos de martelo.

Moinhos de cilindros

Os moinhos de cilindros reduzem o tamanho de partícula mediante esmagamento ou trituração, graças à aplicação de uma força compressiva sobre o ingrediente. Este processo produz uma pequena quantidade de material fino resultando em um tamanho de partícula relativamente uniforme do grão.

Moinhos de Martelos

Os moinhos de martelo reduzem o tamanho de partícula dos ingredientes mediante trituração por impacto (Pfost, 1976), dando lugar a partículas com uma forma mais esférica e aumentando a quantidade de partículas finas e pulverizadas, o que resulta em um tamanho de partícula menos uniforme (Koch, 2002). Estudos anteriores demonstraram que o aumento da quantidade de partículas
não uniformes, gerado mediante o uso
de moinhos de martelo, resulta em maior ângulo de queda, o que supõe uma pior fluidez (Groesbeck et al., 2006).

Custos associados à moagem

Por outro lado, além de reduzir as características de manipulação, moer os grãos aumenta os custos associados à moagem. Estes custos incluem:

O custo inicial dos equipamentos pode parecer caro, mas dependendo do moinho, os custos energéticos para um ano podem exceder os custos de uma peça nova do equipamento de moagem. Compreender a variedade de fatores que influenciam na eficiência e taxa de produção da moagem pode ser muito benéfico para os fabricantes de ração.

Alguns dados demonstram que a redução do tamanho de partícula dos grãos de cereal conduz a um aumento dos requerimentos energéticos e a uma redução da taxa de produção (Gebhardt et al. 2018). A velocidade em que estes fatores mudam pode se ver alterada:

 Pelo grão

 

 Pelo tipo de moinho

 

Pelos parâmetros de moagem

 

 Pela manutenção dos moinhos

 

Tendo em conta os efeitos negativos da redução do tamanho de partícula sobre a eficiência da moagem, é importante continuar investigando se estas perdas estão justificadas pelas melhoras no rendimento dos animais.

Fraps (1932) usou sorgo moído para demonstrar que a redução do tamanho de partícula melhorou a digestibilidade dos nutrientes. Aubel (1945, 1955) continuou trabalhando sobre esta ideia, demonstrando melhoras na eficiência alimentar quando os suínos eram alimentados com milho moído e grão de sorgo.

Aubel (1945, 1955) continuou trabalhando sobre esta ideia, demonstrando melhoras na eficiência alimentar quando os suínos eram alimentados com milho moído e grão de sorgo.

Estes experimentos sentaram as bases para que muitos zootécnicos pudessem determinar a ótima forma de aplicar este método de processamento na produção suína.

Owlsey et al. (1981) observaram uma melhora da digestibilidade ileal aparente (DIA) e digestibilidade aparente do trato total (ATTD) de matéria seca (MS), nitrogênio (N) e a energia bruta (EB) do sorgo em suínos de engorda ao reduzir o tamanho de partícula de 1,262 μm a 471 μm.

Estudos prévios também demonstraram as melhoras na digestibilidade dos nutrientes graças a redução do tamanho de partícula no milho
(Lawrence, 1967; Giesemann et al., 1990).

Ao empregar um moinho de martelo para moer o milho, os autores não observaram melhoras na digestibilidade da energia e os nutrientes ao reduzir o tamanho de partícula de 700 μm a 300 μm. No entanto, ao moer o milho com um moinho de cilindros, foram observadas melhoras na digestibilidade da energia e os nutrientes (Patience, 2015).

Por outro lado, Rojas e Stein (2015) descreveram um declínio linear da concentração de energia metabolizável (EM) no milho conforme se reduzia o tamanho de 865μm a 339 μm através de um moinho de martelo.

Não obstante, Bertol et al. (2017) desenvolveram um modelo que estabelecia que a partir de um tamanho de 523-524μm não se melhorava o valor da energia metabolizável aparente corrigida para nitrogênio (AMEn) para o milho.

 Baseado em vários estudos que foram realizados antes de 2012, se concluiu que havia uma melhora de 1,0-1,3% na eficiência dos porcos de engorda por cada100μm de redução no tamanho de partícula de milho ou sorgo quando estes se reduziam de 1.000μm a 40 μm (Cabrera, 1995; Wondra, 1995a; Paulk, 2011; De Jong 2012).

 Bertol et al. (2017) observaram uma melhora de 6% na eficiência alimentar quando as nulíparas recebiam dietas com milho moído para passar de um tamanho de 904μm a 48 μm. No entanto, a redução do tamanho não influenciou na eficiência alimentar dos machos castrados.

Em contrapartida com um estudo prévio, Gebhardt et al. (2018) não observaram melhoras na eficiência alimentar dos suínos de engorda ao oferecer a eles milho moído em partículas de tamanho reduzido (de 581μm a 285μm) empregando um moinho de cilindros

Tal e como se mencionou, Bertol et al. (2017) e Rojas et al. (2015) registraram um aumento da EM no milho tamanho de partícula se reduzia. Ao formular dietas balanceadas em função deste aumento da EM, não houve diferenças na eficiência alimentar dos suínos de engorda.

Está bem documentado que a redução do tamanho de partícula dos grãos melhora a eficiência alimentar dos suínos. Não obstante, estudos anteriores revelam uma maior variabilidade quanto ao que pode se considerar o tamanho ótimo de partícula.

O ritmo de crescimento em resposta à redução do tamanho de partícula é mais variável em leitões ao desmame, observando que o ganho de peso é menor quando a fração de milho que se encontra moído com Partículas finas (aproximadamente 325μm).

 

Determinadas situações podem conduzir a um aumento da ulceração da região esofágica do estômago do suíno. As práticas habituais de fabricação de rações, tais como a moagem fina, demonstraram aumentar a incidência da ulceração da região esofágica do estômago em suínos de engorda (Mahan et al., 1966; Maxwell et al., 1970; Cabrera et al., 1995; Wondra et al., 1995a; e Ayles et al., 1996) e em porcas lactantes (Wondra et al.,1995b). Se pressupõe que isto se deve a um aumento da fluidez do conteúdo gástrico, o que conduz a uma maior mistura dos mesmos.

A mistura deste conteúdo fluido permite uma exposição contínua da mucosa desprotegida da região esofágica à pepsina e ácidos gástricos (Reimann et al., 1968; Maxwell et al., 1970). A relação entre a severidade das úlceras e sua influência sobre o ritmo de crescimento não está bem estabelecida. Hedde et al. (1985) e Ayles et al. (1996) estabeleceram que o aumento da severidade das úlceras se associava à diminuição do ganho de peso. Não obstante, outros estudos indicam que as úlceras gástricas não afetam a taxa de crescimento (Backstrom et al., 1988; Guise et al., 1997; Dirkzwager et al., 1998). Além dos efeitos sobre o rendimento, as úlceras gástricas severas podem resultar na morte súbita dos suínos.

*Chad Paulk – Assistant Professor of Feed Science and Management in the Department of Grain Science and Industry at Kansas State University

 

 

Deixe seu comentário