Desempenho de leitões na maternidade com uso de aditivo prebiótico Desempenho de leitões na maternidade com uso de aditivo prebiótico
 
27 jan 2021

Desempenho de leitões na maternidade com uso de Aditivo Prebiótico

get_the_title



AUTOR(ES)

Eduardo Miotto Consultor Técnico Suínos

INTRODUÇÃO

Os prebióticos são ingredientes alimentares não digeríveis que estimulam o crescimento e/ou atividade de um número limitado de bactérias no intestino dos animais, sendo seletivo para bactérias benéficas comensais do intestino e, ao mesmo tempo, inibindo a colonização do intestino por bactérias patogênicas, resultando na melhora da saúde do hospedeiro (5).

Estima-se que o trato gastrointestinal (TGI) do suíno possui mais de 1000 espécies de bactérias, que produzem mais de 2000 tipos de substâncias. Essas bactérias atuam diretamente no hospedeiro e na microbiota intestinal, provocando ou não desequilíbrio da flora intestinal. Além disso, a expressão de fatores de virulência por algumas bactérias pode resultar em doença (10).
A Modulação da microbiota intestinal e aumento das concentrações de ácidos graxos voláteis (AGVs) no trato intestinal são os mais bem documentados e aceitos efeitos dos prebióticos (7), desta forma, devido à sua capacidade de criar um ambiente intestinal favorável para microbiota benéfica, temos um incremento na digestibilidade dos nutrientes e redução de diarreia o que resulta em melhor desempenho dos animais (7).

 

O GAMAXINE® é um aditivo prebiótico constituído por bactérias saprófitas inativadas e parede celular de levedura. Favorece o equilíbrio da microbiota intestinal, proporcionando uma melhor proteção contra desafios entéricos e, consequentemente, melhorando o desempenho dos animais.

Adição de aditivos prebióticos às dietas de leitões apresentaram melhor desempenho, diminuíram a incidência de diarréia e melhoraram a morfologia do intestino delgado (7,8,9).

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado numa granja comercial de produção de leitões com 830 matrizes ativas, localizada no estado de Santa Catarina (SC), apresentando um excelente histórico rodutivo/reprodutivo, vigorando entre das 10 melhores granjas do estado no ranking da Agriness, porém apresenta certa incidência de diarreias neonatais e taxa de mortalidade de maternidade média em torno de 8,5%. O teste contou com 17 leitegadas oriundas de matrizes entre a primeira e sexta parição, distribuídas de forma aleatória entre os tratamentos.

O grupo tratado (T1) com o fornecimento de GAMAXINE® foi composto de 10 leitegadas e o grupo Controle negativo (T2) foi composto de 07 leitegadas. Assim, foram avaliados 227 leitões, sendo que os leitões do Tratamento 1 (T1), receberam 2 ml de GAMAXINE® por via oral logo após o nascimento (1ª dose) e foi repetida dose de 2 ml por via oral com 15 dias de vida (2ª dose).

Os 227 leitões foram pesados individualmente ao nascer e aos 14 dias de maternidade. Para critério de peso de desmame (peso final), haja visto indisponibilidade da granja, foram considerados os pesos do lote.

No teste foram avaliados os seguintes critérios:

Peso médio ao nascimento, aos 14 dias de vida e ao desmame (individual e do lote com as respectivas médias)
Sendo os índices comparados entre os tratamentos.

Para análise do ganho de peso na maternidade, foram utilizados os pesos ao nascimento e ao desmame. Como covariáveis, o peso dos leitões ao nascer e peso aos 14 dias, respectivamente.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância utilizando o programa de análise estatística – SISVAR. Por se tratar de dois tratamentos, com coeficiente de variação para as variáveis estudadas inferior a 20%, foi utilizado o teste t para comparação de médias pela análise de variância.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Número de leitões nascidos e pesos médios individuais e da leitegada ao nascimento

Das fêmeas selecionadas para o teste, as médias foram 15,40 e 16,71 leitões nascidos vivos por matriz, nos tratamentos 1 e 2, respectivamente. O peso médio individual destes leitões foi de 1,30 e 1,31 kg para os tratamentos 1 e 2, resultando em leitegadas com peso médio de 20,21 kg e 21,57 kg ao nascimento.

 

Após os partos e o manejo de colostro, nas fêmeas utilizadas para o teste, o excesso de leitões foi removido das matrizes, permanecendo apenas o número de leitões correspondentes ao número de tetos viáveis nas mesmas. Desta forma, tivemos em média 13,14 e 13,50 leitões por matriz nos tratamentos 1 e 2, respectivamente. Para as variáveis peso ao nascimento e número de leitões nascidos, não houve diferença estatística.

Peso médio individual e das leitegadas aos 14 dias

Para a variável peso aos 14 dias não houve diferença estatística significativa, porém foi observada uma tendência positiva (p=0,07) no incremento do peso dos leitões em T1, quando comparado  a T2, como pode ser observado na Tabela 2.      

Ao analisarmos o peso médio das leitegadas aos 14 dias de maternidade, também notamos uma tendência positiva no incremento do peso no tratamento 1 (Gamaxine®), tendo já aos 14 dias um incremento de 2,150kg por leitegada.

Levando em consideração a diferença de peso das leitegadas ao nascimento,
nestes mesmos 14 dias, as leitegadas do grupo T1 já demonstravam uma
diferença a maior de 3,510Kg no peso total da leitegada.

 

Ganho de Peso na Maternidade e Peso ao desmame

 

Para a variável peso ao desmame, houve uma diferença estatística (p<0,05), sendo 7,61 kg para T1 e 7,04 kg para T2.
Com relação ao ganho de peso diário na maternidade, também foi melhor no grupo tratado com Gamaxine® em relação ao grupo controle, conforme pode ser visualizado na Tabela 3.

 

Os leitões do T1 ganharam em média 23 gramas de peso a mais por dia na maternidade, ou seja, um GPD de 252g/dia comparado a um GPD de 229g/dia do grupo controle.

 

 

 

Pesos Totais por Fase
Além de analisarmos os pesos individuais ao desmame, é fundamental considerarmos também o peso da leitegada, uma vez que, quando temos um número elevado de leitões desmamados/matriz, que é o caso da granja em que o produto foi testado, espera-se uma queda no peso médio da leitegada e não foi observado no grupo tratado com Gamaxine®(T1) como pode ser visualizado na Tabela 4.

Os pesos individuais dos leitões do tratamento 1 apresentaram-se melhores aos 14 dias e ao desmame. Desta forma, as leitegadas tratadas com Gamaxine®, por conseguinte, foram desmamadas mais pesadas.

Somando a diferença de peso médio ao nascimento, as leitegadas tratadas com Gamaxine® foram desmamadas com 6,30Kg a mais na média, que o grupo controle.

CONCLUSÃO

 

O uso do aditivo prebiótico em leitões na maternidade (Gamaxine® ) resultou em melhor ganho de peso diário na maternidade (GPD), 23 gramas de peso a mais por leitão por dia, o que se converteu em maior peso aos 14 dias de vida e um maior peso ao desmame em relação aos animais do grupo controle, ou seja, 570 gramas a mais por leitão desmamado, totalizando neste experimento uma diferença de 6,3kg a mais por leitegada desmamada do grupo tratado.

 

REFERÊNCIAS

(1) Cooper, D. R., Patience, J. F., Zijlstra, R. T., & Rademacher, M. (2001). Effect of nutrient intake in lactation on sow performance: determining the threonine requirement of the high-producing lactating sow. Journal of Animal Science, 79(9), 2378-2387.

(2) C uevas, A.C.; Gonzales, E.A.; Huguenin, T.C. et al. El efecto del Bacillus toyoi sobre el comportamiento productivo en pollos de engorda. Veterinária México, v.31, n.4, p.301-308, 2000.

(3) Fedalto, L.M.; Tkacz, M.; Ader, L.P. Probióticos na alimentação de leitões do desmame ao 63 dias de idade. Archives of Veterinary Science, v.7, p.83-88, 2002.

(4) Junqueira, Otto Mack, Barbosa, Luis Carlos Garibaldi Simon, Pereira, Adriana Aparecida, Araújo, Lúcio Francelino, Garcia Neto, Manoel, & Pinto, Marcos Franke. (2009). Uso de aditivos em rações para suínos nas fases de creche, crescimento e terminação. Revista Brasileira de Zootecnia, 38(12), 2394-2400. https://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982009001200015.

(5) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa 13/2004. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumospecuarios/alimentacao-animal/arquivos-alimentacao-animal/legislacao/instrucao-normativa-no-13-de-30-de-novembrode-
2004.pdf.

(6) Sanches, A.L.; Lima, J.A.; Fialho, E.T. et al. Utilização de probiótico, prebiótico e simbiótico em rações de leitões ao desmame. Ciências Agrotécnica, v.30, n.4, p.774-777, 2006.

(7) Liu, Y.; Espinosa, C.D.; Abelilla, J.J. et al. Non-antibiotic feed additives in diets for pigs: A review. Animal Nutrition, V. 4, n.2, p. 113-125. 2018. nutrinewsbrasil.com | Leia artigo online 12

(8) Ternus, M.E.; Piroca L. et al. Uso de Acidificantes na Fase de Creche como Alternativa aos Antimicrobianos Promotores de Crescimento na Suinocultura. Dados não publicados.

(9) TsiloyiannisY.; Kuang, Y.; Zhang, Y. et al. Rearing conditions affected responses of weaned pigs to organic acids showing a positive effect on digestibility, microflora and immunity. Anim Sci; 87: 1267 e 80. 2006(b).

(10) J.M. Fouhse, R.T. Zijlstra, B.P. Willing. The role of gut microbiota in the health and disease of pigs, Animal Frontiers, Volume 6, Issue 3, July 2016, Pages 30–36,2016.

Por Eduardo Miotto – Consultor Técnico Suínos da Vetanco

 




REVISTA NUTRINEWS BRASIL +

NOVIDADES

 

REVISTA

 





Veja outras revistas



 

Cadastro Newsletter nutriNews Brasil

Tenha acesso a boletins de nossos especialistas e a revista digital.



 

nutriTips
nutriNews Brasil
no Youtube

 
logo

GRUPO DE comunicação agrinews

Política de Privacidade
Política de Cookies