Efeito da forma física da ração para frangos de corte sobre a qualidade da carcaça

23/08/2019

Nutrição Animal

Revista: nutriNews Brasil 2019
O problema da qualidade de carcaça em frangos de corte é tão antigo quanto os centros de produção, sendo cada época marcada por diferentes problemas.

 

 

 

 

Não é simples solucionar, via nutricional, problemas que têm um forte componente de:

Manejo – Pododermatites

Genético e ambiental – Miopatias

 

Em qualquer caso – e fazendo boa a premissa de que qualquer coisa que ocorra, o primeiro diga-o ao nutricionista, para ver se ele o corrige -, há algumas coisas que podem ajudar em ambas situações.

Mais além do evidente de reduzir densidades, ou empregar material
de cama de qualidade, ou manter a umidade da instalação controlada, pode passar por melhorar a digestibilidade do alimento proporcionado aos frangos.

 

Dietas mais digestíveis, possivelmente, reduzirão a presença de água, proteína e gordura em fezes, moderando o risco de presença de lesões podais

 

Quanto aos problemas de peito, os últimos trabalhos indicam que  a modulação da velocidade de crescimento dos frangos pode ajudar a reduzir seu efeito.
Considera-se que, uma elevada taxa de crescimento nos períodos intermediários da vida dos animais, é um dos fatores de risco mais significativos destes problemas.

 

Para combinar a melhora da digestibilidade da dieta, com a redução do ganho de peso, é possível considerar a modificação da forma física do alimento.

 

Independentemente dos efeitos que o uso de dietas de frangos em forma de grânulo, ou de farinha, tem sobre o resultado técnico – o que foi suficientemente considerado em muitos e diferentes fóruns (e que não vamos valorizar agora, com o objetivo de não alongar desnecessariamente este artigo) podemos considerar outros possíveis efeitos do emprego de dietas de granulometria diferente.

 

Sabemos que as pododermatites são reduzidas, de forma considerável, ante o emprego de dietas com trigo inteiro misturado com a ração. E sabemos que isto se deve a uma notável melhora da digestibilidade da dieta associada ao tamanho de partícula e, por extensão, ao peso da moela.

Infelizmente, o trigo misturado com a ração pode reduzir a velocidade de crescimento, mas por vezes o aumenta. E, por isso, este sistema acaba por não servir pra o caso das miopatias. Diante das miopatias, diferentes autores, e a experiência prática, indicam que reduzir levemente a velocidade de crescimento dos animais parece ter um certo efeito sobre estes problemas. Mesmo que ainda falte muito a ser verificado de forma correta.

Diante das miopatias, diferentes autores, e a experiência prática, indicam que reduzir levemente a velocidade de crescimento dos animais parece ter um certo efeito sobre estes problemas. Mesmo que ainda falte muito a ser verificado de forma correta.

Podemos dizer algumas coisas, com certa segurança, no caso da utilização de dietas em farinha grossa:

O consumo é manifestamente reduzido, especialmente nos primeiros dias de seu uso. Como consequência, ocorre uma evidente redução do ganho de peso (mais significativa em frangos abatidos com menor peso, mas que é onde menos se apresentam os problemas de miopatias).

A mortalidade costuma se reduzir, embora seja difícil fazer avaliações estatísticas deste valor.

O índice de conversão se mantém bastante estável, sem grandes diferenças, geralmente a favor do granulado em caso de se dar. Em geral, relata-se uma significativa melhora da qualidade das camas.

 

Alguns trabalhos indicam uma redução apreciável do rendimento de carcaça dos animais, mesmo que estes aspectos já não estejam tão claros.
Em outro trabalho de Mingbin e Zhengguo, publicado na Animal Nutrition em 2015, não foram encontradas diferenças significativas nos rendimentos em carcaça, quartos traseiros ou peito de frangos alimentados com rações em migalha/grânulo ou farinha toda a vida, com diferentes graus de trituração.

Em um teste realizado na Granja Experimental do CEU, em Valência, não encontramos diferenças, no abatedouro, entre os frangos alimentados com grânulo, ou os alimentados desde os 21 dias com farinhas grossas quanto ao peito ou intestino grosso, embora sim em peso da moela e do intestino delgado:

Também não foram encontradas diferenças na cor da carcaça ou em seu pH, indicando um comportamento similar no abate:

 

Os aspectos que seguramente se darão com o emprego de dietas em farinha são:

Redução do consumo de ração, sobretudo ao princípio de seu uso.

Redução da velocidade de crescimento, também mais ao princípio.

O IC é mantido, ou pode aumentar suavemente.

Geralmente a mortalidade é reduzida.

Relata-se melhora da qualidade das camas (olho, dependendo das circunstâncias da empresa)

Costuma-se estimar uma redução das segundas do abatedouro.

Relata-se redução do rendimento entre 0 e 0,5 pontos.

Aparece, em maior ou menor quantidade, algum resto de trigo na moela, que aumenta significativamente de tamanho.

 

Cada empresa deve avaliar seu uso ou não, em função de sua própria situação e estado de problemas. Como sempre, não há um edredom que sirva para todas as camas.

 

*José Ignacio Barragán é consultor avícola

 

 

 

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