Efeitos da imunocastração na digestibilidade de suínos Efeitos da imunocastração na digestibilidade de suínos
 
25 fev 2021

Efeitos da imunocastração na digestibilidade de suínos

A castração é uma pratica indispensável na suinocultura, pois ao atingir maturidade sexual, os suínos machos apresentam acumulo de substancias no organismo que conferem mau odor à carne – o escatol e a androsterona. Por esse motivo, os animais destinados a produção de carne são castrados cirurgicamente, normalmente sem anestesia, até os 10 dias de idade. Contudo, a demanda por praticas que gerem menor sofrimento animal e priorizem o bem-estar animal é crescente.

De acordo com a nova Instrução Normativa do MAPA que estabelece as boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial. – IN nº 113, de 16 de dezembro de 2020, capítulo IV, Parágrafo único:

 

As granjas terão até 1º de janeiro de 2030 para utilização de analgesia e anestesia, em toda e qualquer castração cirúrgica, independentemente da idade do animal.

Imunocastração

Uma alternativa à castração cirúrgica é a imunocastração. Ela consiste na aplicação de vacinas que inibem o hormônio GnRH, responsável por desencadear a atividade testicular, suspendendo a metabolização do escatol e a produção de androsterona. Por ser uma pratica relativamente nova, ainda há diversos estudos sobre os efeitos da imunocastração (IC) na nutrição, desempenho e qualidade de carcaça dos animais.


Em um estudo conduzido na Espanha por Palma-Granados et. al (2021) objetivou-se avaliar os efeitos da IC em suínos machos e fêmeas ibéricos (alimentados com dietas com teor crescente de proteína bruta (PB)) sobre o desempenho, retenção de nitrogênio (RN), digestibilidade e características de carcaça.

Suínos ibéricos foram alojados individualmente divididos em três grupos sexuais: machos IC, fêmeas IC e machos cirurgicamente castrados (CC) e três dietas (153, 137 e 119g PB / kg de MS; 14MJ de energia metabolizável / kg de MS). Os suínos foram vacinados com 18 semanas de idade (40 kg de peso corporal) e sete semanas depois (70 a 80 kg de peso corporal) e alimentados com 0,9 × ad libitum com base no peso corporal. Os animais foram abatidos com 105 kg de peso corporal.

Antes da segunda vacinação, os machos ibéricos IC apresentaram maior taxa de crescimento, eficiência alimentar e eficiência de RN do que os outros grupos. A eficiência da RN foi 40% maior nos machos IC do que nos CC. A taxa de crescimento e a eficiência alimentar foram maiores nos machos IC do que nos outros grupos durante todo o período.

Os componentes magros da carcaça (lombo, filé e paleta) foram maiores nos machos IC do que nos outros grupos. Não houve interações significativas entre grupo sexual × PB da dieta. Os machos ibéricos IC cresceram a uma taxa mais elevada, depositaram mais proteínas e de forma mais eficiente do que os machos CC ibéricos antes da segunda vacinação inibidora de GnRH.

As fêmeas ibéricas IC apresentaram desempenho de crescimento semelhante aos machos CC e eficiência intermediária de deposição de proteína entre os machos IC e CC. Apesar do maior desempenho de crescimento, taxa de deposição de proteína e eficiência de deposição de proteína de machos IC vs. machos CC, não foram detectadas diferenças significativas nas exigências de aminoácidos entre eles.

Mais estudos são necessários para definir precisamente o fornecimento mínimo de aminoácidos necessário para atender aos requisitos metabólicos de suínos IC a fim de melhorar o crescimento magro e reduzir o custo da alimentação e a carga ambiental das diferenças significativas nas exigências de aminoácidos entre eles.

 

P. Palma-Granados, L. Lara, I. Seiquer, M. Lachica, I. Fernández-Fígares, A. Haro, R. Nieto, Protein retention, growth performance and carcass traits of individually housed immunocastrated male- and female- and surgically castrated male Iberian pigs fed diets of increasing amino acid concentration, Animal, 2021, disponível aqui.




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