Efeitos da fitase na redução de peito amadeirado de frangos de corte

05/06/2020

Nutrientes Pesquisa

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Por Alexandre Barbosa de Brito

Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal

A ação sobre o IP6 (anel de fitato íntegro) e em seus ésteres seguintes (IP5/ IP4/ IP3/ IP2/ IP1) são provenientes exclusivamente por ação desta enzima, sendo que fitases distintas podem possuir cinéticas distintas.

Para começar, deve-se ponderar em como o fitato interfere na digestibilidade mineral no intestino das aves. Este anel de fósforos e carbonos possuem a propriedade de quelação com Ca, Zn, Se e Fe, reduzindo muito a solubilidade destes minerais em pH acima de 6 (pH onde a absorção ocorre no trato gastrointestinal dos animais). O IP6 é realmente deletério na redução desta solubilidade. (Toreti et al. (2018).

Os autores avaliaram o tratamento de fitase em alimentos à base de soja quanto a ação no anel de fitato e melhoria de solubilidade de minerais. Os autores observaram uma melhoria de solubilidade in vitro de 2.0 para 20.8% para o Ca, 2.2 para 37.1% para Fe e 38.8 para 67.4% para Zn (P<0.05), quando não se usava ou usava-se a fitase, respectivamente.

Para o Ca, a solubilidade chega a apenas 40% em pH 6 (faixa de pH onde normalmente se inicia o processo de absorção e aproveitamento de nutrientes) quando se tem o fitato integro.

Já para o Zn, ocorre uma redução de absorção total neste mesmo pH. Com doses usuais de fitase (500 FTU/kg) a maioria das enzimas promovem uma parcial ruptura de dois fósforos, formando-se um volume considerável de IP4.

Esta ruptura poupa fontes de fósforo como farinha de carne ou fosfato bicálcico reduzindo o custo de formulação. Porém para a melhoria de solubilidade de minerais, não existe uma grande melhora (Figura 1) (Xu et al. (1992))

Se a produção do éster IP3, ou inferior, ajuda na solubilidade de Se, Zn e Fe em pH superior a 6.0, todas as vantagens em se ter maior aporte destes micronutrientes se torna claro.

No caso do peito amadeirado, a redução desta condição indesejável com uso de Superdosing de fitase deve-se a um maior aporte de Se e Fe (minerais muito relacionados com incremento de produção de hemoglobinas que melhora a oxigenação tecidual).

Quanto maior a oxidação tecidual, menor a incidência de síndrome ascitica e de miopatias não infecciosas em frangos de corte.

Com estas pressões aumentadas, surgem potenciais estressores metabólicos, onde o uso de minerais adicionais, bem como a superdosagem de fitase ajudam a suportar a capacidade antioxidante do frango e melhorar a taxa de oxigenação tecidual.

Os autores apresentam resultados recentes que indicam que a suplementação de dietas de frangos de corte com Zn, Fe, Se, triptofano e/ou etoxiquin adicionais em combinação com níveis de superdosagem de fitase reduziu a severidade do peito amadeirado em até 50%, melhorando o ganho médio diário e a eficiência alimentar destes animais.

 

 

 

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