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06 out 2020

Enterócitos: as Células Escravas da Nutrição Animal e sua Interação com os Probióticos e Prebióticos nas Aves

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INTRODUÇÃO

 

Não tem mobilidade (nascem e morrem no mesmo lugar), comem muito mal, consomem muita energia, reproduzem continuamente, trabalham exaustivamente e vivem pouco.

Assim são estas células escravas, mas essenciais na nutrição animal e humana, conhecidas como enterócitos.

A vida média dos enterócitos das aves é de três dias; morrem a exaustão, de tanto trabalho.

 

No entanto, nenhuma outra célula do corpo animal conta com tantos auxílios internos e externos como elas.

 

 

 

 


OS ENTERÓCITOS

 

A grande função dos enterócitos é a digestão e absorção dos nutrientes. Eles têm papel claro neste sentido, garantindo a absorção de íons, água, nutrientes, vitaminas e absorção de sais biliares não conjugados.

Eles trabalham em cooperação íntima com as células do tecido linfóide associado à mucosa, informando o que deve ou não ser considerado reativo em relação à dieta e antígenos microbianos.

Os enterócitos são impulsionados a trabalhar e serem produtivos com tudo que entra pelo bico da aves, e não podem reclamar, nem descansar. O trato digestório (TD) das aves é comparativamente mais curto que de outros animais e com trânsito intestinal mais rápido.

 

→ Ele é internamente e integralmente revestido por uma camada contínua destes enterócitos que se mantêm fortemente unidos entre si através de um conjunto de proteínas, formando o tecido epitelial da mucosa intestinal.

Estas células têm intensa atividade metabólica mesmo antes do nascimento dos pintos; atividade esta que se acentua com seu nascimento. Como elas são confinadas neste espaço cilíndrico por camadas de vários tecidos externos (inclusive muscular), sua intensa multiplicação leva a formação de longas pregas ou vilosidades pra dentro da luz intestinal.

 

 

Os enterócitos da base (cripta) empurram seus irmãos mais fracos para o ápice das vilosidades onde estes ficam mais vulneráveis as intempéries do que acontece no TD.

Sua multiplicação e morte são programadas e dá o nome a esta característica de apoptose.

Para otimização da multiplicação e recuperação tecidual, os irmãos mais novos dos enterócitos recebem partes das que estão morrendo, como se estivessem numa linha de montagem contínua.

Uma das grandes proteções da mucosa intestinal é dada pelo revestimento por uma camada de muco semelhante a um gel, formada a partir de glicoproteína mucina (glicocalix) secretada pelas células caliciformes. Esta camada serve como primeira barreira a penetração de microrganismos e defesa contra infecção.

Mas, lamentavelmente, também, esta mucina serve como excelente fonte de nutrientes para algumas bactérias intestinais comensais e patogênicas.

Outras células que ajudam na proteção da mucosa intestinal são os macrófagos e heterófilos, que produzem um peptídeo catiônico antimicrobiano chamado de β-defensina.

Eles a entregam aos enterócitos como uma arma de defesa que as mantêm na sua superfície. Em contato, as defensinas formam poros na parede celular de muitos patógenos, levando-os a lise e morte.

Caso algum microrganismo consiga passar por esta barreira, estas mesmas células de defesa, que se encontram na circulação periférica e lâmina própria, são recrutadas para o local onde elas lutam pra matar os invasores usando uma variedade de estratégias, como a fagocitose.

Os enterócitos possuem um sofisticado sistema especializado de alerta caracterizados por receptores de reconhecimento de patógenos que dão o alerta.


A MICROBIOTA INTESTINAL – OS PROBIÓTICOS

 

O TD das aves tem contato com uma variedade de microorganismos imediatamente após eclosão e, a partir daí, torna-se num habitat permanente para um complexo sistema conhecido como microbioma, consistindo primariamente por bactérias anaeróbias ou facultativas.

Esta microbiota interage constantemente com o hospedeiro, sua dieta e entre seus próprios componentes (Quorum sensing), com efeitos profundos na nutrição e saúde do animal.

Quando esta microbiota é composta por microrganismos que trazem efeito benéfico ao hospedeiro, ela é denominada de Probiótica

O papel da microbiota no TD e saúde geral do homem e animais ficou mais claro com os experimentos realizados com animais livres de germes (germ free) e com a utilização de ferramenta genómica que possibilitou a caracterização e comprovação da existência de milhões de microrganismos não cultiváveis neste ambiente. A tal ponto que, sabe-se hoje que temos maior número de bactérias no TD que todas as células somáticas do corpo.

Comparativamente com as aves “germe-free”, a microbiota estimula em muito o desenvolvimento do TD. Altera a parede e morfologia intestinal, com vilosidades e criptas mais longas.

A microbiota é crucial no desenvolvimento da imunidade intestinal e geral (secreção de IgA e IgG), e da atividade enzimática.

Além da mucina que recobre a mucosa intestinal, os enterócitos tem receptores para inúmeras bactérias comensais formando uma segunda barreira que contribui para a sua integridade.

Um dos mecanismos das bactérias Probióticas é ocupar estes receptores excluindo patógenos pelo mecanismo da exclusão (Exclusão competitiva).

Elas também estimulam a produção de mucina e excluem outras bactérias patogênicas por vários mecanismos – a maioria ainda não conhecida -, como a produção de peptídeos antimicrobianos, bacteriocinas e outros metabólitos.

A manipulação da microbiota intestinal com o uso de Probióticos tem sido muito explorada comercialmente, tanto para a redução de patógenos intestinais e de saúde pública (salmonelas p.ex.), e como alternativa ao banimento dos antibióticos usados como promotores de crescimento.

Os resultados têm demonstrado inúmeras vantagens para a produção avícola e para a melhoria da qualidade dos produtos que chegam as mesas dos consumidores.

 

 

Algumas características são desejadas para os Probióticos, entre elas: que as bactérias tenham origem no mesmo hospedeiro; que sejam GRAS (Generally Reconized As Safe), que resistam ao ácido gástrico e à bílis; que possam aderir ao epitélio ou muco; que persistam no TD; que produzam compostos inibitórios para bactérias patogênicas e de interesse em saúde publica humana; que modulem o sistema imune e que regulem o microbioma intestinal.

 

 

 

 


OS PREBIÓTICOS

 

A dieta tem enorme impacto no microbioma intestinal das aves.

Alguns componentes alimentares que escapam à digestão e absorção pelo hospedeiro podem servir como substratos para o crescimento de bactérias intestinais.

Quando funcionam como alimento para as bactérias Probióticas, são denominados de Prebióticos. Muitas bactérias hidrolisam polissarideos que não foram digeridos (galacto, fruto, manano, etc.) e produzem ácidos graxos voláteis de cadeia curta (AGCCs), principalmente acetato, lactatos, proprionato e butirato, que reduzem o pH intestinal atuando na redução de espécies bacterianas indesejáveis.

Os AGCC são absorvidos por meio de difusão e atuam como fonte de energia e carbono para a proliferação dos enterócitos, aumentando a altura das vilosidades e, conseqüentemente, a área de superfície de absorção. Os mananos, quando hidrolisados, produzem unidades de manose que bloqueiam fimbrias tipo 1, reduzindo a aderência de bactérias que as possuem, na mucosa intestinal. Além disso, os AGCC regulam, o fluxo sanguíneo intestinal, a produção de mucina e estimulam a resposta imunológica intestinal.

 

Para a associação sinérgica entre Probióticos e Prebióticos, dá-se o nome de Simbiótico. A aplicação destes compostos é indicada o mais cedo possível no desenvolvimento das aves.

Nelas, é possível até a utilização de Probióticos isoladamente ou associados a outras substâncias in ovo, ainda no incubatório, com inúmeras vantagens adicionais, como a redução da mortalidade inicial, proteção contra salmonelas e melhoria do rendimento.

Existem inúmeras publicações mostrando que o uso de Simbióticos tem função na melhoria do rendimento zootécnico, particularmente, na criação de frangos de corte.

Com a proliferação das bactérias Probióticas que hidrolisam as substâncias Prebióticas, há melhoria geral da saúde intestinal e uma oferta maior de energia para os enterócitos. Assim, estes reduzem a competição por fontes energéticas da dieta com conseqüente sobra extra que é utilizada no rendimento animal.




 

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