Recuperação de pastagens degradadas no cerrado
 
28 out 2021

EPAMIG vai testar recuperação de pastagens degradadas por meio de sistemas integrados de produção

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) vai iniciar um projeto de pesquisa com foco na recuperação de pastagens degradadas no bioma Cerrado por meio de sistemas integrados de produção. O objetivo dos sistemas é abarcar diferentes esquemas produtivos para otimizar os usos da terra e fixar carbono no solo e na biomassa vegetal. O projeto será dividido em três ensaios e, em um primeiro momento, será realizado nos Campos Experimentais da EPAMIG.

A recuperação de pastagens degradadas é um trabalho que não pode esperar. Segundos dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estima-se que, no Brasil, cerca de 130 milhões de hectares de pastagens estejam degradados e necessitem de alguma intervenção para reverter o estado em que se encontram. Só no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, regiões que compõem o bioma Cerrado, existem 2,5 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação.

Os trabalhos de pesquisa serão realizados nos Campos Experimentais da EPAMIG dos municípios de Uberaba, Patos de Minas e Prudente de Morais. De acordo com o pesquisador da EPAMIG, Fernando Franco, os diferenciais do projeto são as condições de trabalhar a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) desde o início, além da possibilidade de conduzir ensaios em áreas de ILPF estabelecidas há mais tempo.

“Os Campos Experimentais da EPAMIG em Patos de Minas e Prudente de Morais possuem áreas de ILPF instaladas há mais de dez anos. Então, os grandes diferenciais desse projeto são as possibilidades de fazer pesquisa nesses sistemas em dois momentos distintos. Caso contrário, teríamos que aguardar uma década para a continuação dos ensaios”, destaca Fernando Franco.

Os ensaios

O primeiro ensaio dos trabalhos é chamado de ‘recuperação de pastagens degradas pelos sistemas integrados de produção’. Fernando Franco enfatiza que a proposta de utilizar sistemas integrados para recuperação de pastagens significa implantação de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF); Integração Lavoura e Pecuária (ILP); reformas de pastagens; florestas plantadas e, ainda, lavouras em monocultivo.

“Nós pretendemos medir o consumo de água para produção de forrageira nesses sistemas integrados, ou seja, vamos analisar o quanto esses sistemas são mais eficientes que pastagens degradadas, ou até mesmo pastagens em monocultura, no que diz respeito à utilização de água”, afirma Fernando Franco.

O segundo ensaio é denominado ‘recuperação da pastagem sob o sistema silvopastoril’. As pastagens dos Campos da EPAMIG em Patos de Minas e Prudente de Morais foram implantadas junto a eucaliptos. Em função do desenvolvimento das árvores, houve competição por água, luz e nutrientes, fator que prejudicou o desenvolvimento das pastagens. Dessa forma, os testes do segundo ensaio consistirão nos diferentes níveis de desbaste (retirada de árvores) de eucalipto para aumentar a disponibilidade de nutrientes, água e luz paras as forrageiras.

“Nesse ensaio, esperamos que os resultados apontem para os produtores qual é o nível mínimo de desbaste de árvores necessário para a retomada do potencial produtivo das forrageiras estabelecidas em sistemas ILPF”, relata Fernando Franco.

O pesquisador conta que o tratamento controle dos dois ensaios será a própria pastagem degradada, pois o projeto tem como objetivo demonstrar o potencial de fixação de carbono, eficiência no uso da água e “input” produtivo quando se converte pastagens degradadas em sistemas integrados de produção.

Por fim, o terceiro ensaio do projeto prevê utilização de animais para desfrutar das pastagens recuperadas e a avaliação da emissão de metano entérico e de gás óxido nitroso. Nesse ensaio, também serão avaliados os efeitos da presença de árvores na biodiversidades de abelhas, insetos benéficos e pragas.

Instituições e empresas parceiras

O projeto conta com a parceria de instituições de ensino, pesquisa e extensão, como Emater-MG, Embrapa, IFTM-Sudeste, Instituto de Zootecnia, Senar, UFMG, UFSJ, UFTM, UFU, UNESP, Unimontes, Unipam e Univale. As instituições vão envolver alunos, estruturas de laboratório e equipamentos nos três ensaios do projeto.

Já as empresas parceiras, como a Agronelli, serão responsáveis por custear mudas de eucalipto Corymbia citriodora e corretivos de solo. “Ainda buscamos empresas para participar das operações de retirada de eucalipto do ensaio dois. Sabemos que essa é uma atividade onerosa, mas que gera divisas com a venda da mandeira. A contrapartida da EPAMIG será ceder a madeira colhida para as empresas parceiras”, conclui Fernando Franco.

A pesquisa é financiada pelo programa de apoio a projetos do Projeto Rural Sustentável – Cerrado. A EPAMIG é uma empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). Mais informações são obtidas pelo número de telefone (34) 3317-7600.

 

Fonte: Epamig




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