Estratégias nutricionais para produção sustentável de aves
 
10 set 2021

Estratégias nutricionais para produção sustentável de aves

Continuando a sequencia de matérias sobre a influencia da nutrição na sustentabilidade ambiental, trataremos neste artigo as estratégias nutricionais voltadas para a avicultura. Da mesma forma que para os suínos, a retenção de proteínas nas aves depende do nível de proteína da dieta e do estágio fisiológico da ave. Os aminoácidos dos alimentos digeridos são absorvidos e usados para o metabolismo das proteínas.

O excesso de aminoácidos digestíveis e as perdas obrigatórias relacionadas ao metabolismo são catabolisados e excretadas como úrico ácido.

As proteínas não digeridas, bem como as perdas endógenas de proteínas urinárias e fecais, também são excretadas.

Como consequência, a excreção e retenção de N dependem da:

  • qualidade das matérias-primas consumidas (digestibilidade da proteína)
  • equilíbrio de aminoácidos da dieta
  • diferença entre as necessidades de aminoácidos das aves e seu suprimento

Assim, melhorar a eficiência da retenção de proteínas requer um conhecimento das necessidades dos animais e composições de matérias-primas. Quando este não é o caso, como costuma acontecer na prática, são tomadas margens de segurança que aumentam as perdas e reduzem a eficácia de produção.

Para reduzir a excreção de N e melhorar a eficiência de retenção de N, o conteúdo de PB da dieta é ajustado ao estágio fisiológico da ave. Por exemplo, os frangos modernos são geralmente alimentados com quatro dietas diferentes, ou mais, ao longo de sua vida, de acordo com as estratégias de alimentação de fase.

A redução do teor de proteína das dietas pode ser alcançada adicionando aminoácidos para uso em rações, como L-lisina, DL-metionina, L-triptofano, ou análogos de aminoácidos, como ácido hidroxil metiltio butanóico, para atingir um perfil ótimo de aminoácidos digestíveis (Mack et al., 1999).

Meda et al. (2011) calcularam que a redução de 10 g/kg na PB da dieta em poedeiras e frangos de corte resultou em 10% de redução na excreção de N. No entanto, as aves parecem ser mais sensíveis do que os suínos a uma redução na proteína dietética. Por exemplo, Leclercq (1996) observou que uma redução de 10 g PB/kg de alimento reduziu significativamente a excreção de N, mas aumento da taxa de conversão alimentar em 0,021 kg/kg. Aftab et al. (2008) concluíram que acima de 10% de redução de PB (em comparação com as recomendações do NRC), o desempenho dos frangos pode ser reduzido.

Em perus, Travel et al. (2005) descobriram que uma redução importante na PB da dieta durante o período de terminação reduziu a excreção de N em 37%, não afetou o desempenho zootécnico, mas tendeu a reduzir a produção de carne de peito.

A eficiência da retenção de proteínas nas aves também é afetada pelo tipo de produção (Corpen, 2003). A menor eficiência é observada para poedeiras (28%) e a maior (54%) para frangos de corte convencionais. A eficiência de perus é intermediária (46%). A menor eficiência para retenção de proteína é geralmente encontrada em sistemas orgânicos de produção de aves, principalmente porque aminoácidos manufaturados industrialmente não podem ser usados.

 

 

Para ler o primeiro artigo da série, “Estratégias nutricionais para produção sustentável de suínos“, clique aqui!

 

 

As informações contidas neste texto foram retiradas do livro “Poultry and pig nutrition – Challenges of the 21st century

HENDRIKS, Wouter H.; VERSTEGEN, Martin WA; BABINSZKY, László (Ed.). Poultry and pig nutrition: Challenges of the 21st century. Wageningen Academic Publishers, 2019.




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