Estratégias nutricionais para produção sustentável de suínos
 
08 set 2021

Estratégias nutricionais para produção sustentável de suínos

Para uma produção sustentável de suínos e aves, a emissão de poluentes e o uso de recursos não renováveis ​​deve ser o mais eficiente possível. Alguns postos-chaves devem ser observados, como:

  • Nitratos e fosfatos provenientes de dejetos de suínos e aves contribuem para a eutrofização da água. Além disso, as reservas mundiais de fosfatos minerais são limitadas e devem ser preservadas.
  • O acúmulo de Cu e Zn nos solos pode impor um risco de toxicidade de médio ou longo prazo às plantas e aos microrganismos do solo e aumento do risco de sua transferência para os ecossistemas aquáticos.
  • A emissão de amônia (NH3) dos dejetos está envolvido na acidificação e eutrofização, com efeitos prejudiciais reconhecidos no solo e biodiversidade. A amônia também contribui para a emissão de pequenas partículas para o ar, com possíveis efeitos prejudiciais à saúde humana e animal.
  • Embora menor do que em ruminantes, a criação de animais monogástricos também contribui para as emissões diretas de gases de efeito estufa, e emissões de CH4 e óxido nitroso (N2O) de dejetos e cama.

A formulação da dieta tem impacto direto na eficiência do uso de nutrientes e energia pelos animais e, consequentemente, afeta o fluxo de nutrientes e de resíduos em uma granja (Petersen et al., 2007). Todos os nutrientes encontrados no dejeto, ou emitidos para a atmosfera, são provenientes da fração da ração que não é retida pelo animal, indicando que a manipulação da dieta pode ser uma forma eficiente de controlar a quantidade e composição química dos dejetos produzidos, e as emissões de poluentes para o meio ambiente.

Nas últimas décadas, diferentes formas de reduzir o impacto ambiental da produção de suínos e aves têm sido investigadas. A abordagem nutricional tem recebido grande atenção de pesquisadores e tomadores de decisões legislativas.

As principais estratégias investigadas são:

  • melhoria da eficiência do uso de nutrientes para reduzir a excreção e as emissões dos animais;
  • modificação das propriedades químicas dos excrementos para reduzir as emissões gasosas e a produção de odores dos dejetos;
  • melhor adaptação dos dejetos ao seu uso futuro para produção de energia ou como fertilizantes em diferentes estratégias de valorização com ou sem tratamento.

Para complementar a leitura, a nutriNews publicou em sua edição um artigo falando sobre:

Como as tecnologias nutricionais na produção de suínos afetam o custo logístico da distribuição dos dejetos?

O artigo está bem completo e inclui custos de transporte e distribuição dos dejetos em lavoura, para ler o artigo na íntegra, clique aqui! 

 

Dentre as estratégias utilizadas para produção sustentável, tem-se o uso eficiente de proteínas. A eficiência da utilização das proteínas pelos suínos depende da composição da dieta e do estado fisiológico ou do estágio de crescimento dos animais.

A excreção fecal de N, que consiste na fração de proteína não digerida da ração e nas perdas endógenas, chega a aproximadamente 17% da ingestão, dependendo das fontes de proteína utilizadas. As proteínas digeridas são absorvidas como aminoácidos que podem ser subsequentemente usados ​​para a síntese de proteínas. As perdas obrigatórias de aminoácidos estão relacionadas principalmente com a digestão, o metabolismo das proteínas (síntese, degradação e renovação). Os demais aminoácidos digestíveis, após a deposição de proteínas e perdas obrigatórias, são catabolizadas e excretados principalmente como ureia.

Com dietas convencionais, esta última fração é frequentemente a mais importante. A eficiência média de retenção de N é mais baixa em porcas (20-30%), intermediária em suínos em crescimento (30-40%) e mais alta em leitões desmamados (45-55%) (Dourmad et al., 1999a).

Duas abordagens nutricionais complementares podem ser utilizadas para melhorar a eficiência da utilização de proteínas em suínos e, consequentemente, reduzir a excreção de nitrogênio.

A primeira abordagem é garantir o fornecimento adequado de proteínas/aminoácidos ao longo do tempo de acordo com o crescimento potencial dos animais ou seu estado fisiológico. Isso requer um ajuste conjunto do suprimento diário de energia e proteína (aminoácidos), dependendo do potencial genético e do estágio de produção.

Em porcas, a excreção de N é reduzida em 20 a 25% quando diferentes dietas são alocadas para a gestação e para a lactação, em vez de uma única dieta. Melhorias adicionais podem ser alcançadas com o uso de alimentação em duas ou múltiplas fases durante a prenhez. Isso requer uma avaliação precisa dos requisitos, que pode ser obtido usando ferramentas de modelagem.

Dourmad et al. (2014) calcularam que estratégias de alimentação de duas e várias fases durante a gestação resultaram em redução de 10 e 14% na ingestão de proteínas, redução de 15 e 20% na excreção de N ao longo de todo o ciclo reprodutivo e redução de 6 e 8% no custo de alimentação, respectivamente.

Em suínos de engorda, a alimentação por fases também é uma maneira eficiente de melhorar a eficiência da proteína. Uma redução adicional de 5 a 12% na excreção de N pode ser alcançada aumentando o número de dietas usadas durante o período de engorda ou com alimentação em grupo multifásica semanal ou diária (Bourdon et al., 1997; Pomar et al., 2014).

Com o uso de alimentação individual de precisão, cada suíno receberá a quantidade exata de nutrientes de acordo com seu desempenho esperado e condições de alojamento, permitindo lidar com a variabilidade entre as necessidades de proteína dos suínos. Comparada a uma estratégia de alimentação trifásica, a alimentação de precisão permitiu a redução da ingestão de proteínas em 14% e a excreção de N em 22% (Andretta et al., 2014).

A segunda abordagem nutricional para aumentar a eficiência da retenção de proteína em suínos é melhorar o equilíbrio de aminoácidos digestíveis da dieta, o que permite reduzir o teor de proteína bruta (PB) da dieta. Isso pode ser obtido por meio de uma combinação de diferentes fontes de proteína e/ou a substituição da proteína pela inclusão de aminoácidos para uso na ração em uma forma livre.





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