Impacto da alimentação precoce na microbiota intestinal de leitões Impacto da alimentação precoce na microbiota intestinal de leitões
 
26 abr 2021

Impacto da alimentação precoce na microbiota intestinal e no desenvolvimento do sistema digestivo em leitões

No momento do desmame, o trato gastrointestinal dos leitões ainda está em desenvolvimento e passando por rápidas mudanças na colonização da microbiota intestinal, sistema digestivo e desenvolvimento imunológico.

A colonização microbiana no início da vida com microrganismos intestinais é potencialmente benéfica e pode influenciar a manutenção da homeostase intestinal e prevenir a disbiose intestinal. As fibras dietéticas podem modular o microbioma intestinal e são amplamente reconhecidas como componentes de alimentos/rações que influenciam positivamente a saúde intestinal. As fibras dietéticas também têm sido implicadas no desenvolvimento do trato gastrointestinal e nas alterações da mucosa em suínos.

Devido a importância da formação da microbiota intestinal no desenvolvimento e sanidade de leitões, pesquisadores da Wageningen University & Research avaliaram o impacto da estratégia alimentar precoce na composição da microbiota intestinal em diferentes regiões do trato intestinal e investigaram suas consequências para o desenvolvimento e maturação intestinal.

Para o estudo, pesquisadores utilizaram 12 matrizes multíparas (entre 3 a 5 partos). Dois dias após o nascimento da leitegada, o tamanho da ninhada foi definido para um máximo de 14 leitões por ninhada.

As ninhadas foram divididas em dois grupos experimentais, alimentados precocemente e grupo controle.

A partir de 2 dias, os leitões pertencentes ao grupo alimentado precocemente tiveram a oportunidade de forragear com alimentação de fibra mista personalizada, ad libitum, além do aleitamento; enquanto o grupo controle apenas amamentou.

Resumidamente, a dieta do grupo de leitões que foram alimentados precocemente continha 26% de polissacarídeos sem amido, incluindo polpa de beterraba (4%), casca de aveia (4%), inulina (4%), galacto-oligossacarídeos (5%) e amido de milho com alto teor de amilase (4%) como ingrediente fibroso.

 

Composição do microbioma intestinal em diferentes segmentos intestinais

Os pesquisadores observaram diferenças específicas de localização e composição da microbiota. Na análise, foi observado dois grupos distintos, refletindo diferentes colonizadores microbianos no intestino delgado e grosso.

Por exemplo, famílias microbianas como Lactobacillaceae, Peptostreptococcaceae e Clostridiaceae  foram consideradas dominantes nas amostras do intestino delgado (jejunal e ileal), enquanto Rikenellaceae, Prevotellaceae, Ruminococcaceae, Lachnospiraceae foram mais abundantes no intestino grosso.

Foi observado que no intestino grosso havia uma microbiota com mais rica e uniforme em comparação com o intestino delgado.

Comparando a microbiota jejunal e ileal, Aerococcaceae, Fusobacteriaceae, Moraxellaceae foram encontrados com mais abundancia no jejuno, enquanto apenas Pasteurellaceae foi encontrado em abundancia no íleo.

 

Efeito da alimentação precoce na microbiota intestinal

Os pesquisadores não encontraram nenhum impacto na composição ou diversidade do microbioma do intestino delgado (jejunal e ileal) devido à alimentação precoce (pré-desmame) dos leitões.

Em contraste, o microbioma do cólon foi significativamente alterado devido à alimentação precoce, e foram identificados vários grupos microbianos (como Ruminococcus 2, Lachnospira, Lachnospiraceae grupo ND3007, Roseburia, Papillibacter, Eubacterium, Prevotella 1) associados a esta diferença.

 

Medições de órgãos digestivos (macroscópicas)

Não houve diferença significativa no desenvolvimento do peso corporal antes do desmame entre os grupos controle e alimentação precoce. Leitões dos dois grupos não diferiram no peso da glândula adrenal, vesícula biliar, baço, fígado, estômago e ceco.

No entanto, os leitões que receberam alimentação precoce tenderam a ter um pâncreas mais pesado em comparação com os leitões do grupo controle.

O intestino delgado e o trato intestinal total mostraram uma tendência a ser mais longos nos leitões alimentados precocemente. Além disso, o intestino grosso (incluindo ceco e cólon) também foi significativamente mais longo em leitões alimentados precocemente.

Nenhuma alteração significativa foi observada no comprimento das vilosidades ou na profundidade da cripta na mucosa jejunal, nem na profundidade da cripta do cólon das amostras de tecido de entre os dois grupos.

No entanto, devido a uma combinação de comprimento de vilosidade modestamente aumentada e profundidade de cripta diminuída na mucosa jejunal, os autores observaram uma tendência para uma relação comprimento de vilosidade:profundidade de cripta reduzida (proporção V:C) nos leitões alimentados precocemente em comparação com os animais do grupo controle. No entanto, nenhuma associação quantitativa foi encontrada entre essas medidas morfométricas da mucosa e os escores alimentares.

 

Os autores concluíram que, no geral, o estudo ilustra que a alimentação precoce com ração enriquecida com fibras influencia a composição da microbiota colonizadora, aumenta os produtos da fermentação microbiana no cólon e modula o desenvolvimento intestinal no desmame.

Eles destacam que as alterações associadas à alimentação precoce nas assinaturas microbianas do cólon foram fortemente associadas à quantidade de ingerida pelos leitões, que correspondeu ao aumento do peso do intestino delgado e do trato gastrointestinal total (com ou sem digesta).

 

Para consulta do artigo completo clique aqui

CHOUDHURY, R. et al. Impact of early-life feeding on local intestinal microbiota and digestive system development in piglets. Scientific reports, v. 11, n. 1, p. 1-16, 2021.

As informações desse texto foram retiradas do artigo intitulado “Impact of early‑life feeding on local intestinal microbiota and digestive system development in piglets” com autoria de:

R. Choudhurya, A. Middelkoopb, J. G. de Souzaa, L. A. van Veena, W. J. J. Gerritsc, B. Kempb, J. E. Bolhuisb & M. Kleerebezema

aHost-Microbe Interactomics Group, Department of Animal Sciences, Wageningen University and Research
bAdaptation Physiology Group, Wageningen University & Research, PO Box 338, NL-6700AH, Wageningen, the Netherlands
cAnimal Nutrition Group, Wageningen University & Research, PO Box 338, NL-6700AH, Wageningen, the Netherlands




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