Impacto do ômega 3 no consumo de ração de trutas arco-íris Impacto do ômega 3 no consumo de ração de trutas arco-íris
 
17 mar 2021

Impacto do ômega 3 no consumo de ração de trutas arco-íris

Na truta arco-íris, o conteúdo de ácidos graxos poliinsaturados n-3 (ou Ω 3) na ração afeta a composição lipídica do cérebro e desempenha um papel na regulação da ingestão de alimentos.

 

Para preservar os recursos marinhos e permitir o desenvolvimento sustentável da aquicultura, a tendência dos últimos anos tem sido a substituição da farinha e do óleo de peixe nas dietas, por matérias-primas vegetais de maior disponibilidade e menos onerosas. No entanto, sua composição de ácidos graxos é muito diferente.

A farinha e os óleos de peixe são ricos em ácidos graxos poliinsaturados n-3 -PUFA Ω 3: EPA (ácido eicosapentaenóico, 20: 5 Ω 3) e DHA – ácido  docosahexaenóico, 22: 6 Ω. Portanto, as dietas nas quais as fontes vegetais substituem os óleos e as farinhas de peixe resultam em uma diminuição no conteúdo de EPA e DHA nos tecidos dos peixes.

Eles também levam a uma diminuição na quantidade de ração ingerida e na eficiência alimentar. Pensando nisso, pesquisadores levantaram a hipótese de que a ausência de certos lipídios, particularmente, os Ω 3 PUFAs de cadeia longa (EPA e DHA) na dieta, poderia modificar a composição de ácidos graxos do cérebro e alterar o comportamento alimentar através do sistema nervoso central, responsável pela regulação da ingesta de alimentos.

O objetivo deste trabalho foi caracterizar a composição de ácidos graxos do cérebro (incluindo os metabólitos de ácidos graxos oxidados enzimaticamente e não enzimaticamente por estresse oxidativo) e estudar RNAs mensageiros (RNAm), testemunhas da expressão de genes envolvidos na regulação de ingestão de alimentos pelo sistema nervoso central.

As análises foram realizadas em truta arco-íris alimentadas por nove semanas com três dietas experimentais a base de plantas contendo diferentes níveis de EPA e DHA:
  • 0% para baixo;
  • 15,7% para médio;
  • 33,4% para alto teor de ácido graxo total.

Os níveis de ácidos graxos no cérebro variam dependendo da dieta

Trutas alimentadas com dieta que não contém DHA e EPA apresentaram conteúdo cerebral reduzido de ω-3 PUFAs totais, com diminuição de EPA e DHA. Os metabólitos selecionados da oxidação enzimática (ciclooxigenases e lipoxigenases) do ácido araquidônico (ácido graxo Ω 6), conhecido por ter papéis pró-inflamatórios, diminuem em dietas de médio e alto ω-3 PUFAs. Por outro lado, os níveis de metabólitos oxidativos enzimáticos de DHA e EPA- antiinflamatórios – são maiores com a dieta com alto teor de EPA e DHA.

Os níveis totais de metabólitos oxidativos não enzimáticos do DHA analisados, conhecidos por seus efeitos benéficos à saúde e servindo como mediadores homeostáticos na manutenção das funções fisiológicas de mamíferos, são maiores com as dietas de médio e alto teor de PUFA Ω 3.

 

A ação de Ω 3 nas funções cerebrais causa mudanças no nível de ingestão

A ingestão diária de alimentos é menor em dietas contendo altos níveis de Ω 3 PUFAs, mas a eficiência alimentar é melhor.

Com esse regime a expressão no hipotálamo do mRNA do peptídeo npy é maior. No entanto, este peptídeo é conhecido por ser estimulante de apetite (orexígeno). Por outro lado, observa-se uma expressão mais fraca do mRNA do peptídeo pomcA, que é anorexígeno. Esses resultados, portanto, mostram uma correlação inversa entre a ingestão de alimentos e a expressão de neuropeptídeos. Isso poderia ser explicado pelo fato de que, dada a curta duração do período de alimentação neste experimento, os Ω 3 PUFAs levariam a uma saciedade rápida na truta, mas que seria seguida por uma sensação de fome.

Em conclusão, este trabalho revelou pela primeira vez, em peixes, a presença de alguns metabólitos de oxidação enzimáticos e não enzimáticos selecionados no cérebro e a modulação do conteúdo de lipídios cerebrais pelos níveis de DHA e EPA na dieta.

Esses primeiros resultados, que são importantes para a compreensão dos mecanismos de regulação da ingestão alimentar em trutas arco-íris alimentadas com uma dieta 100% vegetal, irão, em última instância, melhorar a formulação de rações para aquicultura para maximizar o desenvolvimento, crescimento, taxa de sobrevivência, reprodução e estado de saúde dos peixes.

 

Fonte: 2021 Roy; C. Vigor; J. Vercauteren; G. Reversat; B.Q Zhou; A. Surget; L. Larroquet; A. Lanuque; F. Sandres, F; F. Terrier; C. Oger; J.M. Galano; G. Corraze; T. Durand. 2020. Characterization and modulation of brain lipids content of rainbow trout fed with 100% plant based diet rich in omega-3 long chain polyunsaturated fatty acids DHA and EPA. Biochimie. 

Disponível  aqui 




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