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10 mar 2021

Impacto do papel forração sobre o ganho de peso de frangos de corte no alojamento

A criação de aves de corte vem se mostrando cada vez mais proeminente no Brasil, revelando um aumento consistente nos últimos anos. Na avicultura a qualidade do produto final depende diretamente da qualidade do manejo e na produção das aves. Pequenos detalhes podem influenciar significativamente no resultado, portanto, no lucro do produtor. Desta forma, as pesquisas relacionadas às particularidades do manejo vêm se tornando cada vez mais importantes.

Segundo ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) o Brasil, no ano de 2020, pode chegar a 13,8 milhões de toneladas na produção de carne de frango, significando uma alta de 4,2% em relação a 2019. Líder mundial de exportação e segundo maior produtor do mundo, o país também deverá exportar, neste ano, 4,23 milhões de toneladas superando 2019 em 0,5%. Em nosso país o consumo per capita pode atingir 45 quilos em 2020, superando em 5% 2019, com 42,84 quilos.

A cama do aviário é um dos fatores de manejo que impacta sobre a saúde e a qualidade das aves. Outro fator importante relacionado à cama é a isolação térmica, segundo Abreu e Abreu (2011) os pintainhos de um dia de idade não conseguem se manter termicamente devido ao seu sistema termorregulador não estar desenvolvido.

Assim, se a cama não estiver em condições adequadas para receber essas aves e também de reter calor, as perdas já são imediatas.

Variações na temperatura do aviário podem implicar em baixo desenvolvimento e até morte das aves, segundo Butcher, Nilipour e Miles (2002) as primeiras horas de vida das aves são as mais importantes no desenvolvimento, e os aviários já devem estar preparados um dia antes do alojamento.

Os pintainhos têm uma curiosidade imensa logo que chegam ao aviário. Este fator deve ser bem explorado pelo produtor segundo Pedroso, Pesenti e Molinetti, (2016) nas primeiras horas de vida as aves aprendem a comer e a beber água, fatores tecnológicos e de manejo podem influenciar os ganhos no desenvolvimento das aves, como o consumo de água e ração num período menor de tempo, e acelerando sua formação.

O pinteiro é um local onde as aves ficam retidas por aproximadamente três a quatro dias, este local poderá ser forrado com o papel forração kraft, que terá sobre ele a ração que é distribuída pelo produtor conforme recomendações técnicas, segundo Pedroso, Pesenti e Molinetti (2016) se ecomenda que esse papel forração fique próximo ao bebedouro, para oportunizar e estimular as aves que ao consumirem água, já procurem o alimento. Não há recomendação quanto a cor do papel kraft utilizado.

O objetivo deste trabalho é avaliar o ganho de peso, temperatura da cama e mortalidade dos pintainhos alojados sob diferentes cores de papéis de forração kraft.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho foi realizado em um aviário de frango de corte com dimensões de 105 m 12 m semi dark house, com coordenadas, latitude -24.631589°, longitude -53.263799°, na cidade de Cafelândia – PR. O delineamento utilizado foi em blocos casualizados com repetições, tendo dois tratamentos, sendo:

T1 – Papel forração Kraft branco e

T2 – Papel forração Kraft pardo

O aviário foi dividido em quatro baias de tamanhos iguais: duas para o tratamento 1 e duas para o tratamento 2; cada baia recebeu em média 3.750 pintainhos. Foram avaliados três lotes consecutivos sendo:

Lote 1. 04/10/2018 a 18/11/2018,

Lote 2. 13/12/2018 à 31/01/2019 e

Lote 3. 23/02/2019 a 10/04/2019.

As baias foram aleatorizadas durante os diferentes lotes.

 

 

A colocação do papel foi feita na baia tendo uma área de 30 m do aviário (pinteiro) em proporções exatas, com divisórias. Essa distribuição do papel ocorreu um dia após o alojamento e também a distribuição de comedouros infantis nas mesmas proporções para cada baia.

 

 

Neste mesmo dia foram distribuídas ração conforme recomendações técnicas e em proporções iguais.

Os parâmetros analisados foram ganhos de peso com três dias e sete dias de idade, mortalidade por baia e temperatura do papel.

A pesagem foi realizada com até 2% das aves por baia com balança digital de gancho da marca Gardex®, as pesagens eram realizadas em horários específicos do dia, para evitar estresse às aves, foi cercada uma proporção de aves em pontos específicos das baias com folha de Eucatex, facilitando a captura das mesmas.

Os pintainhos eram então colocados em um balde e realizado a pesagem, a temperatura foi verificada por termômetro digital a laser da marca FLLIKE®, sendo que a aferição era sempre no mesmo local e horário.

A aquisição do papel é realizada na cooperativa onde o aviário é integrado, não existe nenhuma obrigatoriedade sobre o tipo de papel forração, podendo ser utilizado dois modelos branco ou pardo, mas existe a obrigatoriedade de utilização do papel no alojamento dos pintainhos, o valor destes papéis é o mesmo, não havendo diferença no custo dos mesmos.

 

Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias dos requisitos analisados foram comparadas pelo teste Tukey, por meio do programa estatístico Assistat® (Silva e Azevedo, 2016).

A comissão de ética do Centro Universitário FAG, por meio do Parecer CEUA/FAG n. 064/2018, aprovou o projeto “Avaliação do papel forração no pinteiro para avicultura” sob o protocolo n. 1864.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As análises de variância são apresentadas na Tabela 1 referentes à primeira semana de vida das aves para as variáveis: Peso aos 3 dias (P3), Peso aos 7 dias (P7), Temperatura do papel (TEMP.), Animais Mortos (AM).

Observa-se que a variável peso aos 3 dias, peso aos 7 dias e animais mortos apresentaram significância no valor de F. A variável Temperatura da Cama não apresentou significância para o valor de F.

A variável peso aos 3 dias se mostrou em concordância com os obtidos inicialmente, em que o tratamento com papel forração Kraft pardo apresentou a melhor média de ganho de peso, enquanto que o T1 com Kraft branco apresentou a menor média.

O peso aos sete dias demonstrou diferença significativa entre os tratamentos testados, a maior média foi apresentada pelo T2 com papel forração Kraft pardo, enquanto a menor média foi demonstrada pelos T1 com papel forração Kraft branco.

Pedroso, Pesenti e Molinetti (2016) ao fazer o teste de chick check, que é o teste do papinho após 24 horas das aves alojadas, 96% dos pintinhos quando alojadas sob o papel forração tiveram a presença de ração no papo contra 86% das aves que não foram alojadas sob o papel forração, esses autores também constataram um ganho de peso de 4% maior nas aves alojadas sob o papel forração.

Leandro et al. (2007), salientam que o efeito do peso inicial do pinto em comparação ao peso final do frango tem uma acentuada diminuição com o decorrer da idade das aves.

Os autores ressaltam ainda que os pesos iniciais dos pintos influenciam diretamente sobre o rendimento de carcaça de frangos de corte ao irem para o abate. Os dados destes autores são proporcionais com os achados neste experimento, pois se observa que não houve diferença significativa na pesagem de 7 dias de idade.

A variável temperatura do papel não apresentou diferença significativa entre os tratamentos. As médias de temperatura ficaram entre de 34 a 36 °C. Essas temperaturas estão acima do ideal e indicam que as condições climáticas do ambiente externo se mostraram mais severas na primeira semana de vida dos pintainhos, o que exige maiores cuidadosem relação ao ambiente térmico no interior dos pinteiros.

As temperaturas observadas neste estudo superam a temperatura ideal que descrevem Pauli et al. (2008). As temperaturas com valores compreendidos entre 32 e 34 ºC são valores considerados confortáveis para a primeira semana de vida das aves.

A quantidade de animais mortos observados neste estudo apresentou diferença significativa para os tratamentos testados em lotes de épocas diferentes. A menor média foi obtida para os pintainhos recém alojados no T1, enquanto a maior média de mortalidade foi demonstrada pelo T2.

A mortalidade de pintainhos no alojamento pode estar ligada a temperatura elevada, ou a outro fator que não seja o dos tratamentos deste trabalho, pois as mesmas não passaram por análises para diagnosticar a causa da morte.

 

Algumas das hipóteses de mortalidade nos primeiros sete dias de vida dos pintainhos podem ser: doenças, má formação, demora no alojamento, período prolongado de jejum alimentar ou de água. No entanto, não se pode afirmar a causa das mortes, pois não foi realizado exame pós morte nos animais (Silva e Vieira, 2010).

 

O ganho de peso dos pintainhos está demonstrado na Tabela 2. Conforme o avançar da primeira semana, o peso dos animais evoluiu, demonstrando superioridade no T2 com papel forração Kraft pardo, que pode ter influenciado de forma positiva o peso dos animais, aos 7 dias de idade, a uma diferença discreta, mesmo assim, nota-se superioridades do papel forração Kraft pardo.

O ganho de peso dos animais evoluiu na primeira semana de alojamento, o T2 apresentou média superior significativa. Ao avaliar a evolução do ganho de peso aos 7 dias, o peso não apresentou diferença significativa. Os animais, mesmo com pesos diferentes ao iniciar no alojamento, chegaram ao final de 7 dias com pesos semelhantes.

A evolução do peso inicial dos pintainhos obtida neste trabalho vai ao encontro do que ressaltam Tavernari e Mendes (2009), pois o pintainho ao final da primeira semana de vida poderá aumentar seu peso corpóreo em, aproximadamente, 4 vezes em comparação ao seu peso no nascimento. De acordo com Zocche et al. (2016), pintainhos quanto mais pesados à eclosão, serão mais resistentes e certamente serão frangos com maior peso ao final do período de criação.

RESUMO

A demanda mundial é por mais alimentos, sejam de origem vegetal quanto animal, para tanto é fundamental a eficiência do processo de criação. O objetivo deste trabalho foi avaliar o ganho de peso, temperatura da cama e mortalidade dos pintainhos alojados sob diferentes cores de papéis de forração kraft.

O trabalho foi realizado em uma propriedade rural no município de Cafelândia – Paraná, com início em outubro de 2018 a maio a 2019. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com repetições, e com dois tratamentos, sendo avaliado 1 % a 2 % das aves alojados em média 75 aves por tratamento.

 

Os tratamentos foram: T1 – Papel forração Kraft branco, T2 – Papel forração Kraft pardo. E foram avaliados três alojamentos consecutivos. O experimento foi realizado no aviário (pinteiro) sendo a área dividida em quatro baias, em cada alojamento os blocos foram ajustados, as aves estiveram em um ambiente homogêneo, com os mesmos tratos de manejo.

Os parâmetros analisados foram:

ganho de peso com três e sete dias;

mortalidade;

temperatura do papel.

Os resultados obtidos demonstraram que houve interação significativa para os parâmetros peso inicial e ganho de peso aos 3 dias. No entanto, não apresentou diferença significativa para ganho de peso aos 7o dias, e para a temperatura da cama, já para a mortalidade houve diferença significativa para os tratamentos.

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos neste trabalho demonstraram que o papel forração Kraft pardo demonstrou resultados superiores no ganho de peso para 3 dias de idade dos pintainhos sendo que aos sete dias os pesos se equipararam. A mortalidade se mostrou maior no T2, podendo não haver relação com o papel forração utilizado.

Maicon Godois Carvalho1 e Vivian Fernanda Gai2

1 Engenheiro agrônomo

2 Zootecnista, Médica veterinária e mestre em produção Animal do Colegiado de Agronomia do Centro Universitário Assis Gurgaz, Cascavel, Paraná (PR)




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