Tipo de gaiola e nutrição no desenvolvimento ósseo de poedeiras Tipo de gaiola e nutrição no desenvolvimento ósseo de poedeiras
 
30 abr 2021

Impacto do tipo de alojamento e nutrição mineral no desenvolvimento esquelético de poedeiras

Um dos grandes desafios da postura comercial é a qualidade óssea das aves ao longo do período produtivo

Nas últimas décadas os geneticistas selecionaram com eficiência galinhas poedeiras mais leves e altamente produtivas. Porém, devido ao aumento do número de ovos produzidos, dentre outros fatores, o requerimento de cálcio de uma poedeira comercial ao longo da vida é significativo.

Em artigo, recém-publicado, foi exposto que, uma galinha branca bota em média 340 ovos até a 72ª semana de idade, com base no fato de que a casca do ovo contém 2,5 g de cálcio (Ca) e o Ca presente em todo o corpo de uma franga no início da postura é de 25 g, a galinha irá demandar mais de 30 vezes o Ca corporal para a formação de cascas de ovos ao longo do ciclo de postura.

Com esse exemplo, fica claro a importância do fornecimento de cálcio e a necessidade do equilíbrio entre a deposição e liberação desse mineral para manutenção da qualidade óssea dessas aves. Assim, qualquer desequilíbrio entre a formação e reabsorção óssea resultará em problemas esqueléticos durante o período de postura.

Outro fator que afeta a qualidade óssea das poedeiras comerciais, além da nutrição, e a interação Ca, P e vitamina D3, é o alojamento das aves. Já é sabido que o estímulo a atividades físicas influencia o desenvolvimento esquelético.

Devido a essas diversas interações entre nutrição e ambiente de criação, pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, realizaram um experimento com o objetivo de investigar o efeito da interação entre o tipo de gaiola (convencional vs enriquecida) e níveis de Ca, P e vitamina D3 da dieta, sobre o crescimento e índice de desenvolvimento esquelético em frangas até a 16ª semana de idade.

 

 

Para o experimento, os pesquisadores utilizaram 3420 frangas de postura Lohmann LSL-Lite alojadas em gaiolas convencionais (76 cm × 71 cm × 46 cm, área de piso total 5396 cm²) e enriquecidas (239 cm × 80 cm × 75 cm, área de piso total 19120 cm²).

As frangas foram criadas em programas de alimentação trifásicos: inicial (dia 1 a 4 semanas de idade), crescimento (5 a 8 semanas de idade) e desenvolvimento (9 a 16 semanas de idade).

As 3 dietas experimentais (Dieta 1, Dieta 1,5 e Dieta 2) em cada fase atenderam ou excederam as especificações de nutrientes Lohman LSL-Lite. A concentração de Ca, P e Vitamina D3 na Dieta 1,5 e Dieta 2 foi 1,5 e 2 vezes maior que a da Dieta 1, mantendo todos os outros nutrientes semelhantes.

 

Peso corporal e peso ósseo, comprimento e diâmetro

Os pesquisadores não observaram nenhuma interação entre idade, tipo de gaiola e dieta ou tipo de gaiola e dieta no peso vivo e peso do fêmur e tíbia

No entanto, foi observado interação da idade com o peso corporal das aves de modo que na 4ª semana de idade as aves criadas nos dois tipos de gaiolas possuíam peso semelhante, porém, na 12ª e na 16ª semana de idade, foi observado que as frangas alojadas em gaiolas enriquecidas estavam mais pesadas que as frangas alojadas em gaiolas convencionais.

Em relação a interações com a dieta, houve uma interação entre idade e dieta no peso absoluto do fêmur, os fêmures foram semelhantes em peso para todas as 3 dietas na 4ª e 12ª semanas de idade, mas na 16ª semana de idade frangas alimentadas com a Dieta 2 apresentaram fêmur mais pesado do que para frangas alimentadas com Dieta 1,5 e Dieta 1.

Além disso, as houve interação entre as dietas e o tipo de gaiola no peso absoluto da tíbia, de modo que às 12 semanas de idade, a tíbia era mais pesada para a Dieta 1,5 do que as Dieta 2 e a Dieta 1, que foram semelhantes entre si. Porém, na 16ª semana de idade, as tíbias foram mais pesadas nas frangas que receberam a Dieta 2 (8,5 g) do que na Dieta 1,5 (7,7 g) e na Dieta 1 (8,0 g).

Houve um efeito da dieta no peso relativo do fêmur e da tíbia de tal forma que o aumento da concentração de Ca, P e Vitamina D3 aumentou linearmente o fêmur e o peso da tíbia. Outro achado foi que frangas criadas em gaiolas convencionais tiveram fêmur e tíbia mais pesados do que frangas criadas em gaiolas enriquecidas.

 

Densidade mineral do fêmur e tíbia e resistência à ruptura

A densidade mineral do fêmur foi semelhante para as frangas alojadas nos dois tipos de gaiolas, mas a densidade mineral da tíbia foi maior para as frangas criadas em gaiolas enriquecidas.

O tipo de gaiola não teve efeito sobre a força de ruptura do fêmur, entretanto, a força de ruptura da tíbia das frangas alojadas em gaiolas enriquecidas tendeu a ser maior do que a das frangas em gaiolas convencionais.

A dieta teve um efeito quadrático sobre a força de ruptura do fêmur com a Dieta 2 tendo a força de ruptura do fêmur mais alta e a Dieta 1,5 tendo a BS do fêmur mais baixa, entretanto a Dieta 1,5 e a Dieta 1 tiveram força de ruptura femoral semelhante.

 

Os autores concluíram que as intervenções para melhorar o desenvolvimento esquelético durante a criação das frangas podem ser uma das estratégias para otimizar a qualidade óssea antes da maturidade sexual.

O tipo de gaiola (convencional vs enriquecida) não interagiu com o Ca, P e vitamina D3 da dieta em muitos índices de desenvolvimento esquelético. No entanto, os efeitos principais foram significativos em alguns critérios de resposta.

O tipo de gaiola teve um efeito dominante na mineralização óssea do corpo e da perna das aves. O fêmur apresentou maior resposta à nutrição e a tíbia, maior resposta ao tipo gaiola.

Compreender como a nutrição e o alojamento (ou tipo de gaiola) afetam o desenvolvimento da fibra de colágeno e sua mineralização é uma área potencial de exploração em estudos futuros. São necessários mais estudos detalhados sobre a participação de minerais no corpo e nos ossos no contexto do aumento de Ca, P e VitD3 na dieta em alojamento alternativo.

 

Para consulta do artigo completo clique aqui

As informações desse texto foram retiradas do artigo intitulado “Cage type and mineral nutrition had independent impact on skeletal development in Lohmann LSL-Lite pullets from hatch though to 16 weeks of age” com autoria de:

Tanka Khanal; Gregoy Y. Bedecarrats; Elijah G. Kiarie

Department of Animal Biosciences, University of Guelph, Guelph, N1G2W1, Canada

https://doi.org/10.1016/j.aninu.2020.11.013




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