Polpa cítrica é opção na dieta de suínos e ruminantes

20/11/2019

Nutrição Animal

Revista: nutriNews Brasil 2019

 

A polpa cítrica é o subproduto obtido da extração do suco pela indústria. O termo “cítrico” engloba diferentes espécies de frutas do gênero Citrus:

Na produção de sucos cítricos, são obtidos subprodutos entre 30 a 50% do peso da fruta processada, que são:

A distribuição do produto fresco (em umidade> 78%) está limitada a áreas próximas às indústrias de extração, mas a polpa seca também é importada de EUA (principalmente do estado da Flórida), Brasil e Marrocos.

A polpa cítrica está presente no Catálogo de matérias-primas para alimentação animal (Outras sementes e frutas, e seus produtos derivados) do Reg. UE 2017/1017, números 5.1.3.1 e 5.1.3.2 (seco) e declaração obrigatória de fibra bruta (sem nível máximo).

 

É definida como “produto obtido por prensagem de citrinos Citrus (L.) spp. ou durante a produção de sumos de citrinos (5.1.3.1) e, posteriormente, secas (5.1.3.2).

Pode ter sido despectinizado, nesse caso será indicado também na denominação. Além disso, pode conter, coletivamente, até 1% de metanol, etanol e propano-2-ol numa base anidra”

Cumpre o RD 465/2003 e modificações posteriores sobre substâncias indesejáveis na alimentação animal.

 

O suco obtido é filtrado para separar a polpa flutuante, e o resíduo é adicionado ao bagaço.
O bagaço é colocado em silos de armazenamento para ser transportado a fazendas e utilizado na alimentação de ruminantes, ou passa pela secagem e despectinização para produzir farelo para a alimentação animal.
Durante o processo de secagem, adiciona-se hidróxido ou carbonato de cálcio para facilitar a liberação da água unida, sendo prensado para separar o melaço.
O resíduo fica secando em tambores giratórios, sendo que de 20 a 50% do melaço é incorporado ao bagaço, o que ganha uma coloração escura, aumentando seu teor de açúcar e proporcionalmente diminuindo o teor de fibra não degradável.
A polpa fresca também é facilmente armazenada, sem necessidade de passar por nenhum tratamento por estar já triturada, embora recomenda-se que seja armazenada junto com palha de cereais para reduzir os efluentes e a perda de açúcares e aumentar a eficácia da fibra no armazenamento.

 

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

A composição varia de acordo com o tipo de fruta, estado de maturação, condições de cultivo, processo de extração do suco

A matéria seca contém:

 Açúcares (18 a 65%).

 Fibra solúvel (7-42%, principalmente pectinas).

 Fibra não degradável (12-43% FDN).

 Cinzas (3-20%), de acordo com a quantidade de carbonato de cálcio adicionada na secagem, sendo mais baixo no produto fresco.

 Proteína (5-11%), baixo nível.

 Gordura (1-8%) varia em função da presença de sementes (0-15%) nas frutas.

VALOR NUTRITIVO

A polpa cítrica possui um alto potencial de degradação no rúmen (>90%) e de digestibilidade aparente em suínos (>78%), por isso que geralmente é utilizada na substituição de cereais (cevada) nas dietas.

No rúmen, essa substituição resulta em níveis mais baixos de ácidos propiônico e lático que ajudam a prevenir a acidose, mas não representa uma contribuição eficaz da fibra na ração.

Nas dietas de monogástricos, aumenta a viscosidade da digestão e diminui a velocidade do trânsito digestivo, o que provoca uma sensação de saciedade que pode melhorar o bem-estar e a saúde intestinal durante a gestação de porcas e no final da engorda.

USO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL

A polpa cítrica pode ser usada como fonte de energia substituindo cereais nas dietas.
Ruminantes: Deve-se considerar sua alta e rápida degradação ruminal para não reduzir a produção de gordura e proteína no leite.

 

Suínos: Recomenda-se principalmente na fase final de ganho de peso (80 a 120 kg) para acidificar a digestão intestinal e reduzir as contagens de bactérias patogênicas(Cerisuelo et al., 2010), e durante a gestação para diminuir comportamentos anormais (estereotipias).

Paloma Garcia Rebollar, Universidade Politécnica de Madrid

 

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