Método avalia impacto de tecnologias da informação e comunicação no agro

24/09/2020

Mercado Tendência

A Embrapa desenvolveu um método para mensurar o impacto de inovações baseadas em tecnologias da informação e comunicação (TICs) voltadas ao segmento rural. O conjunto de critérios e indicadores abrange as dimensões ambiental, econômica e social dos efeitos do uso de sistemas de inteligência territorial, zoneamentos, bancos de dados, softwares e aplicativos, entre outros. Com a agricultura 4.0 no centro das atenções, produtos como esses, que empregam TICs, estão cada vez mais presentes nos projetos e entregas da Empresa. 

A nova metodologia recebeu o nome de “Ambitec-TICs: Avaliação de impactos de tecnologias de informação e comunicação aplicadas à agropecuária”. Consiste em um conjunto de 12 critérios, com 65 indicadores de desempenho. Eles são apresentados a usuários adotantes das soluções da Embrapa, que avaliam diversos quesitos: como ficou a geração de resíduos após a implementação da solução tecnológica? E o consumo de combustíveis? A conservação dos recursos hídricos? Só para mensurar impactos na dimensão ambiental são mais 20 questões como essas. O usuário responde se após a adoção da tecnologia a situação se manteve, se houve ganho ou perda, grande ou moderada. 

O mesmo procedimento é aplicado aos indicadores econômicos: como ficou a produtividade/rentabilidade do trabalho? Houve valorização patrimonial? O novo recurso é compatível com sistemas pré-existentes? Melhorou o acesso a crédito? Houve impacto na comercialização? Por fim, os indicadores sociais: a tecnologia promove a segurança alimentar? Favorece a formalização de empregos? Subsidia a geração de programas, ações ou políticas públicas?

Cada resposta a um indicador gera uma pontuação, que vai de -3 a +3. Para se chegar aos índices de desempenho por critério (ambiental, econômico e social) e, por fim, a um índice integrado, ainda se considera a escala de ocorrência do indicador. Quanto mais pessoas ou instituições ele afeta, maior o peso. Dentro de um mesmo critério, os indicadores podem ter escalas de ocorrência diferentes. Elas também podem variar, de acordo com o usuário. O pesquisador Geraldo Stachetti, da Embrapa Meio Ambiente (SP), dá o exemplo de um repositório de publicações científicas. Utilizado tanto por bibliotecários quanto por estudantes e pesquisadores, ele não impacta da mesma forma todos eles.

Na Embrapa Territorial (SP), a avaliação de impacto de um sistema com informações geográficas sobre programas sociais mostrou que, embora tenha sido solicitado para atender ao trabalho de uma secretaria específica do Governo Federal, acabou gerando interesse também de outros usuários. “A sociedade descobriu e tem utilizado com muita intensidade aquele ambiente”, conta a analista Daniela Maciel, da área de Transferência de Tecnologia

Monitorando o lucro social

Os centros de pesquisa da instituição submetem anualmente à avaliação de impactos as soluções tecnológicas que desenvolvem. Stachetti diz que esse é um processo sedimentado na Empresa, com o objetivo de prestar contas à sociedade dos investimentos que recebe. A analista Graciela Vedovoto, da Secretaria de Desenvolvimento Institucional da Embrapa, complementa que avaliações permitem aferir o “ganho em termos de renda que os adotantes das tecnologias obtêm anualmente. É o que chamamos de lucro social, ou seja, o que a sociedade incorpora com a pesquisa gerada”.

Na Embrapa Territorial, a necessidade de critérios e indicadores melhor adaptados para fazer essa avaliação das soluções que entrega começou a ser mais sentida em 2018. Naquele centro de pesquisa são desenvolvidos principalmente sistemas de inteligência, gestão e monitoramento da agropecuária, baseados em dados e geotecnologias. Maciel explica que a primeira diferença entre esses produtos e outros desenvolvidos pela Empresa é a necessidade de avaliação rápida, já a partir da entrega. “O que colocamos no mercado é dado e informação, e esse tipo de ativo sofre atualização frequente”, analisa. Além disso, as soluções baseadas em TICs são utilizadas com mais frequência por associações, cooperativas e órgãos de governo do que diretamente pelos produtores rurais.

Trabalho contínuo

Atualizar continuamente o conjunto de critérios é uma preocupação da equipe que trabalhou na definição do Ambitec-TICs. Ela segue atuando e compartilhando suas impressões ao utilizar o método, no intuito de reunir subsídios para revisá-los. Stachetti esclarece que todos os processos de avaliação precisam ter os critérios de avaliação e premissas ajustados, caso mudem os objetivos. “Isso é especialmente verdadeiro para avaliações de impactos, nas quais objetivos institucionais, sociais e ambientais são constantemente renovados e atualizados. Para o caso específico das TICs isso deve ser ainda mais enfatizado, já que as próprias tecnologias, seus alcances, plataformas e usuários estão em pleno desenvolvimento,” declara.

A metodologia completa do Ambitec-TICs está disponível em documento técnico da Embrapa. (Veja aqui).

Por: Vivian Chies (MTb 42.643/SP)
Embrapa Territorial

 

 

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