Mundo vai produzir menos carne suína em 2020

03/08/2020

Mercado

Interrupções na cadeia de suprimentos relacionadas à Covid-19, especialmente em instalações de abate e processamento nos EUA, Brasil e União Europeia (UE), afetaram as perspectivas de produção mundial de carne suína para 2020, segundo relatório do Rabobank divulgado no final do mês de julho, que prevê um declínio anual de 8%, puxado pelas menores ofertas da China, Filipinas e Vietnã.

O problema gerado pelo novo coronavírus, diz o banco holandês, traz ainda mais pressão sobre a oferta mundial de carne suína, já abalada pela avanço da peste suína africana na China, no Sudeste Asiático e também em alguns países da Europa.

No início de 2020, o banco estimava queda de 5% na produção mundial de carne suína, em comparação com 2019. Agora, o Rabobank prevê um declínio de 8%, puxado pelas menores ofertas da China (projeção de queda de 17% sobre a produção do ano passado), Filipinas (-9%) e Vietnã (11%). Também se espera que ocorra ligeiras quedas na produção de suínos no Brasil (-1,5%) e União Europeia (-0,5%). O banco, porém, prevê algum aumento de oferta nos EUA (1,3%), apesar do registro de interrupções temporárias em algumas unidades de produção devido a casos de Covid-19.

Brasil em alerta

Segundo o relatório do Rabobank, a suspensão de vários matadouros habilitados para exportar à China nas últimas semanas colocou o mercado brasileiro em alerta. Duas fábricas de suínos foram embargadas e existe a possibilidade de suspensões adicionais, relata o banco.

Na avaliação da instituição, depois do forte volume de importações de carne suína brasileira por parte da China registrado ao longo do primeiro semestre do ano, o país asiático pode reduzir o ritmo de compras do Brasil durante este terceiro trimestre.

No primeiro semestre de 2020, os embarques brasileiros de carne suína cresceram 37% em volume e 53% em receita, em relação ao mesmo período de 2019. No mesmo intervalo de comparação, as exportações para a China foram 150% maiores, atingindo um volume de 231.000 toneladas e representando 49% do total dos embarques de carne suína do País.

Por outro lado, o mercado interno continua em queda, refletindo a deterioração na economia. Com níveis de oferta superiores ao consumo doméstico, cresce a possibilidade de redução na produção interna de carne suína, prevê o banco. No primeiro trimestre, a produção de carne suína no Brasil foi 7,6% maior em relação ao ano anterior e aumentou 0,6% em comparação ao quarto trimestre de 2019.

Essa elevação de oferta reduziu os preços internos da carne suína em abril em 23%, mas, a partir de meados de maio, a oferta e a demanda foram mais equilibradas e, com isso, as cotações começaram a se valorizar. Isso ocorre porque a produção começou a cair no segundo trimestre, enquanto a demanda teve uma ligeira melhora, devido ao alívio das medidas de quarentena em algumas regiões e também impulsionada pela distribuição de dinheiro à população por parte do plano governamental de auxílio emergencial, segundo avaliação do Rabobank.

Por Portal DBO

 

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