Aminoácidos de cadeia ramificada em dietas com proteína reduzida Aminoácidos de cadeia ramificada em dietas com proteína reduzida
 
02 jun 2021

Papel dos aminoácidos de cadeia ramificada em dietas com proteína reduzida

Alimentar suínos com dietas de baixa proteína suplementadas com aminoácidos individuais (AA) tem sido sugerido como uma estratégia dietética para reduzir a excreção de N. Atualmente, o nitrogênio proveniente das excretas dos animais de produção tem sido considerado um dos grandes poluentes dos lençóis freáticos.

Dietas com proteína ligeiramente reduzida, ou seja, dietas com ≤ 4 unidades percentuais de proteína bruta reduzida (PB) suplementadas com AA (isto é, Lys, Met, Thr e Trp) foram consideradas para leitões desmamados, em crescimento e terminação sem influência negativa em seu desempenho de crescimento que não apenas reduzem a excreção de N e o custo da alimentação, mas também diminuem a diarreia pós-desmame.

Dietas de baixíssima proteína com > 4 unidades percentuais reduzidas de PB podem reduzir significativamente a perda de N e a poluição ambiental; no entanto, essas dietas limitam o crescimento dos suínos desmamados, em crescimento e em terminação.

Deste modo, é necessário o desenvolvimento de novas estratégias dietéticas que melhorem o crescimento de suínos alimentados com dietas de baixíssima proteína e assim propiciar a aplicação dessas dietas em nível comercial, visando a redução da excreção de N e a manutenção do desempenho dos suínos.

Para tentar solucionar essa questão, cientistas da Oklahoma State University realizaram um experimento com o objetivo de avaliar a eficiência de crescimento de suínos alimentados com dietas restritas em proteínas e suplementadas com aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e aminoácidos limitantes (LAA) acima dos níveis recomendados.

No experimento foram utilizados 48 machos castrados desmamados com 3 semanas de idade.

Após 2 semanas iniciais de adaptação, os leitões foram atribuídos aleatoriamente a 6 tratamentos dietéticos por 4 semanas:

  • 1) controle positivo (PC), dieta basal com 3,40 Mcal/kg EM (NRC, 2012);
  • 2) controle negativo (CN), dieta basal com 3,4 Mcal/kg de EM contendo AA (LAA; isto é, Lys, Met, Thr e Trp) nos níveis recomendados do NRC (2012);
  • 3) CN contendo LAA 25% a mais que recomendação do NRC (2012) (L25);
  • 4) CN contendo LAA 50% a mais que recomendação do NRC (2012) (L50);
  • 5) CN contendo LAA e BCAA 25% a mais do que a recomendação do NRC (2012) (LB25);
  • 6) CN contendo LAA e BCAA 50% a mais do que a recomendação do NRC (2012) (LB50).

 

Consumo de ração e peso corporal

Em comparação com o grupo controle positivo, ou seja, dieta basal com teor de proteína padrão, os suínos alimentados com controle negativo, ou seja, dieta basal contendo LAA (Lys, Met, Thr e Trp) nos níveis de recomendação do NRC (NRC, 2012), tiveram níveis mais baixos (37 % a 55%) de consumo de ração nos dias 8 a 28 do estudo.

O consumo de ração dos suínos no grupo que recebeu LAA e BCAA 50%  foi de 39% e 82% a mais no d 18 e 20, respectivamente, em comparação com os suínos que receberam apenas LAA 50%, sem BCAA.

O ganho de peso dos suínos do grupo controle positivo, ou seja, dieta basal com teor de proteína padrão, foi o maior observado dentre os grupos, seguida pelos grupos CN contendo LAA e BCAA 50% a mais do que a recomendação do NRC, que foi seguido pelo grupo CN contendo LAA e BCAA 25% a mais do que a recomendação do NRC e controle negativo contento aminoácidos nos níveis recomendados. Não houve diferença entre os dois grupos que receberam LAA a 25 e 50% a mais que o recomendado. Sendo importante observar que as diferenças observadas se tornaram mais marcantes do 21 ao dia 28 do experimento.

 

Os autores concluíram que a suplementação de BCAA e L AA para dietas com baixa proteína, recuperou parcialmente a ingestão de ração, o peso corporal e a concentração sérica de IGF-I, aumentou as concentrações plasmáticas de BCAA e a abundância de mRNA do hipotálamo.

Assim, o crescimento induzido por BCAA provavelmente ocorre através de IGF-I, ingestão de ração e mudanças na serotonina e seus receptores, perfis de aminoácidos no sangue e abundância de neuropeptídeo hipotalâmico Y.

Os dados da pesquisa fornecem evidências de que os fatores periféricos e centrais estão associados ao crescimento induzido por BCAA em suínos alimentados com dietas restritas em proteínas. Mais pesquisas são necessárias para caracterizar as vias pelas quais os BCAA regulam o consumo de ração e o crescimento.

 

Para consulta do artigo completo clique aqui

HABIBI, Mohammad et al. Branched-chain amino acids partially recover the reduced growth of pigs fed with protein-restricted diets through both central and peripheral factors. Animal Nutrition, 2021.

As informações desse texto foram retiradas do artigo intitulado “Branched-chain amino acids partially recover the reduced growth of pigs fed with protein-restricted diets through both central and peripheral factors” com autoria de:

Mohammad Habibi; Cedrick Shili; Julia Sutton; Parniyan Goodarzi; Excel Rio Maylem; Leon Spicer; Adel Pezeshki

Department of Animal and Food Sciences, Oklahoma State University, Stillwater, OK, USA

 




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