Que tal diminuir as afecções respiratórias em bovinos confinados?

08/04/2020

Nutrição Animal

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ICC Brazil

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Atualmente tem se investido em terminação de bovinos em sistema de confinamento, pois há:

Redução da idade de abate;

Maior rendimento de carcaça;

Carne de melhor qualidade;

Possibilidade de exploração intensiva em pequenas propriedades;

Retorno mais rápido do capital de giro investido na engorda.

No entanto, esta intensificação da produção, promove alterações de manejo como transporte dos animais, mudanças dietéticas, aglomeração de animais em espaços mais restritos, o que comumente resulta tanto nos déficits em desempenho e imunidade, que favorecem o aparecimento de doenças (FULTON et al., 2009)

As doenças respiratórias são as que mais acometem animais em confinamento, sendo responsáveis por até 56% das afecções, tanto no Brasil, como internacionalmente, ocasionando perdas econômicas anuais resultantes tanto da diminuição da eficiência alimentar, como em aumento dos custos de produção por perda de sanidade do rebanho, pior qualidade de carcaças e até a morte dos animais (EDWARDS, 2010).

 

Na tentativa de minimizar as doenças respiratórias, aditivos alimentares têm sido estudados, destacando-se o uso de leveduras com esta finalidade, pois as recentes restrições governamentais da União Europeia e Estados Unidos estão limitando o uso de antibióticos melhoradores de desempenho na alimentação animal, tais como a monenzina (SHURSON, 2018).

O uso leveduras como aditivos alimentares podem auxiliar a microbiota ruminal, fortalecendo o sistema imune e reduzindo a contaminação de patógenos, também colaboram para a saúde geral e para a resposta do animal frente ao problema.

Quando utilizadas em fragmentos, fornecem ao ambiente ruminal aminoácidos, peptídeos, β-glucanas e mananoligossacarídeos (MOS) (BORTOLUZZI et al., 2018).

 

Enquanto alguns destes nutrientes são utilizados para a multiplicação de microrganismos ruminais, aumentando a fermentação da dieta, outros são absorvidos estimulando uma resposta imunológica mais eficiente através dos leucócitos (glóbulos brancos) para combater os agentes infecciosos (WILLIANS et al., 1996).

 

O RumenYeast® (Empresa ICC Brazil) consiste na levedura Saccharomyces cerevisiae pura submetida a uma autólise e contém os sólidos solúveis por fermentação do meio e do conteúdo celular interno. O produto final contém vitaminas, peptídeos, aminoácidos livres e carboidratos funcionais, como MOS e β-glucanas.

 

 

 

Um estudo realizado no Confinamento do Núcleo de Produção Animal (NUPRAN), na Universidade Estadual do Centro Oeste, Cedeteg, Guarapuava, PR (dados não publicados), foi realizado para avaliar o efeito de RumenYeast® sobre afecções pulmonares em novilhos de corte.

Foram utilizados 36 novilhos inteiros ½ sangue Angus, com peso médio inicial de 350 kg e idade média inicial de 11 meses, distribuídos em três tratamentos:  Controle: dieta sem leveduras; Lev 4: 4g/animal/dia de RumenYeast® – ICC Brazil; e Lev 7: 7g/animal/dia de RumenYeast®.

Os animais foram avaliados durante os 105 dias de confinamento.

Resultados

Notou-se que, ao longo do confinamento, mais especificamente a partir do 42ºdia de confinamento, uma maior quantidade de animais do tratamento controle apresentaram secreção nasal e maior temperatura orbital quando comparado aos grupos suplementados (Gráfico1).

Gráfico 1 – Novilhos confinados sem secreção nasal mucopurulenta e temperatura orbital bovinos de sob diferentes doses de RumenYeast® na dieta.

Enquanto a temperatura orbital elevada indica inflamação da região ou febre, a secreção nasal esbranquiçada indica infecção por bactéria em trato respiratório anterior, isto é, narina, faringe e traqueia, ou em trato respiratório posterior, isto é, nos pulmões.

Tendo em vista que as principais causas de febre em bovinos confinados são a tristeza parasitária (amarelão) ou doença respiratória dos bovinos e que apenas a doença respiratória dos bovinos causa secreção nasal esbranquiçada, acredita-se que os animais sem suplementação de levedura apresentaram maior índice de doença respiratória que os animais alimentados com dietas suplementadas (SCHAEFER et al., 2007, EDWARDS, 2010).

Para verificar se este aumento de doença respiratória era decorrente de diminuição dos mecanismos de defesa dos animais, realizaram-se exames de sangue que demonstraram que os animais que receberam RumenYeast® na dieta, apresentaram as células sanguíneas (neutrófilos) com maior capacidade de eliminar os agentes causadores de doença.

Além disso, no dia do abate examinaram-se os pulmões dos animais (Figura 2), verificando-se que os animais que receberam a RumenYeast® na dieta, desenvolveram menos pneumonia em comparação aos que não receberam (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Capacidade de eliminar agentes e frequência de pneumonia em novilhos confinados sob diferentes doses de RumenYeast® na dieta.

Figura 2– Indicadores de doença respiratória: pulmões no abate (seta indica área que normalmente ocorre as pneumonias. Na figura a esquerda a área (lobo cranial ventral) não tem alteração; à direita, a área avermelhada (congesta) e com achatamento( atelectesia), indicando pneumonia localizada.

Conclusão

O estudo permite concluir que a suplementação com RumenYeast® na dieta melhorou a saúde do pulmão dos animais avaliados, em ambas as dosagens (4 g ou 7 g), com maior eficiência na dose de quatro gramas. Essa melhora na saúde dos animais pode resultar em maior produtividade, menores gastos com antibióticos para tratamento dos animais doentes, menor resistência bacteriana por tratamentos incompletos e também, menores transmissão de doenças entre os animais confinados.

A combinação de uma nutrição adequada do rúmen que fortalece o sistema imunológico do animal resulta em uma melhor e mais eficiente resposta diante os desafios encontrados no campo que acometem os novilhos, principalmente em fase de adaptação.  RumenYeast® proporciona esses benefícios, garantindo uma suplementação natural e de qualidade, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Referências

BORTOLUZZI, Cristiano et al. Autolyzed yeast (Saccharomyces cerevisiae) supplementation improves performance while modulating the intestinal immune-system and microbiology of broiler chickens. Frontiers in Sustainable Food Systems, v. 2, p. 85, 2018.

EDWARDS, T. A. Control methods for bovine respiratory disease for feedlot cattle. Veterinary clinics: Food animal practice. 26.2: 273-284, 2010.

FULTON, Robert W. et al. Lung pathology and infectious agents in fatal feedlot pneumonias and relationship with mortality, disease onset, and treatments. Journal of Veterinary Diagnostic Investigation, v. 21, n. 4, p. 464-477, 2009.

SCHAEFER, A. L., et al. The use of infrared thermography as an early indicator of bovine respiratory disease complex in calves. Research in Veterinary Science, 83.3: 376-384, 2007.

SHURSON, G. C. Yeast and yeast derivatives in feed additives and ingredients: Sources, characteristics, animal responses, and quantification methods. Animal feed science and technology, v. 235, p. 60-76, 2018.

WILLIAMS, D. L.; MUELLER, A; BROWDER, W. Glucan-based macrophage stimulators. Clinical Immunotherapeutics, 5.5: 392-399, 1996.

Por: Gabriela Garbossa, Gabriela Thomaz, Gabriel Bet Flores, Patrícia Rossi, Dailis Delazeri, Willi Horner, Mikael Neumann, Heloisa Godoi Bertagnon/ E-mail: gabigarbossa@hotmail.com

 

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