Controle de patógenos em ruminantes proteção para saúde pública Controle de patógenos em ruminantes proteção para saúde pública
 
13 abr 2021

Segurança alimentar em pauta: Controle de patógenos na produção de ruminantes como medida de proteção para saúde pública

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AUTOR(ES)

Liliana Borges

P&D, ICC Brazil

Melina Bonato

P&D, ICC Brazil

A segunda onda do Covid-19 trouxe novamente a discussão sobre a vulnerabilidade em relação às contaminações e, assim como outros surtos ou doenças já relatadas anteriormente, tais como, a Influenza A (H1N1), a Peste Suína Africana – PSA, Febre Aftosa, Brucelose, entre outros, afetou as produções animais e os homens.
Isso é muito preocupante pois 75% das doenças humanas emergentes ou reemergentes do último século são zoonoses, ou seja, são doenças de origem animal.

Este impacto, além de causar fatalidades humanas e animais, afeta a economia dos países que somam um excedente de 20% em perdas na produção animal mundialmente (ZANELLA, 2016), além de dificultar a comercialização dos produtos e favorecer a imposição de barreiras sanitárias.

A segurança alimentar é qualificada como um dos atributos mais importantes e valorizados pelos consumidores de alimentos de origem animal e é um assunto que sempre esteve em pauta nas diversas reuniões de comitês científicos e industriais, visto sua importância para saúde pública. Desta forma, a cada ano novas legislações são implantadas ou atualizadas visando a melhoria dos processos da cadeia alimentar, desde o bem-estar e saúde dos animais até qualidade final do produto, levando em consideração a sustentabilidade do meio ambiente.

Aplicadas na indústria de alimentos, em dezembro de 2020 entraram em vigor a RDC 331/2019 e IN 60/2019, que têm como objetivo aumentar a segurança alimentar para garantir a saúde dos consumidores, levando em consideração os padrões microbiológicos da cadeia produtiva.

Como já é conhecida, a RDC 331/2019 abrange toda cadeia produtiva dos alimentos tratando dos padrões microbiológicos dos alimentos e a aplicação dos mesmos, desde a produção até a comercialização, ou qualquer outra etapa que faça parte da cadeia de alimentos. Já a IN 60/2019, que complementa a RDC 331/2019, apresenta a lista com os novos padrões microbiológicos para 

alimentos prontos para oferta ao consumidor. De forma geral, a RDC 331/2019 determina que os alimentos não contenham microrganismos patogênicos, toxinas ou metabólitos em concentrações prejudiciais à saúde e foram alteradas para atender as necessidades sanitárias nacionais e internacionais.

Dentre as alterações, destacam-se o aumento do número de análises de alguns produtos a fim de gerar mais dados para tomada de decisões mais assertivas. Outras alterações estão relacionadas às análises de sorotipos de bactérias que foram incluídos e às concentrações do limite microbiológico. Estas mudanças têm tornado os processos de produção mais rigorosos e evidentemente são uma preocupação para os produtores que são obrigados a se adequar às novas normativas que surgem a cada ano e ao mesmo tempo precisam analisar o custo/benefício de suas produções.

 

Na produção de alimentos de origem animal, como a carne, cada etapa da cadeia de produção é parte integrante na segurança alimentar, desde o campo até a mesa do consumidor, passando pelo processamento e abate.

 

Embora, existam muitos pontos associados à limpeza, sanitização do ambiente e funcionáriosqualidade da água utilizada no processo de abate e controle de pragas, as etapas consideradas mais críticas para contaminação da carcaça são as etapas iniciais do processo de abate, como a esfola e evisceração (BRANDÃO et al., 2012), onde a pele e as vísceras podem entrar em contato com a carne, carregando microrganismos patogênicos.

 

A carne é um substrato de excelência para o desenvolvimento microbiano, devido essencialmente à sua elevada atividade de água (aw) de 0,99 e aos seus componentes de baixo peso molecular (hidratos de carbono, lactatos e aminoácidos), constituindo um perigo potencial para os consumidores na medida em que pode veicular microrganismos patogênicos, tais como Salmonella, Escherichia coli (GIL, 2000).

Desta forma, todas as medidas que possam minimizar a carga microbiana sem gerar resíduos na carcaça, desde o sistema de criação até o abate, são de extrema importância para qualidade do produto final e segurança alimentar.

Pensando nisso, a ICC Brazil segue inovando em soluções que possam agregar à cadeia de produção animal através de produtos que, além de auxiliar a microbiota ruminal, promove uma melhora da saúde intestinal e sistema imune dos animais, prevenindo/controlando a colonização de bactérias patogênicas e redução da contaminação dos produtos finais.

Por serem naturais, os aditivos à base de leveduras da ICC Brazil, promovem a segurança alimentar e ainda possuem excelente custo/benefício, favorecendo a rentabilidade ao produtor e um produto de ótima qualidade ao consumidor final.

O RumenYeast® é uma levedura Saccharomyces cerevisiae pura submetida ao processo de autólise onde ocorre o extravasamento de seu conteúdo celular interno, disponibilizando os sólidos solúveis por fermentação do meio.

O produto final é composto por vitaminas, peptídeos, aminoácidos livres e carboidratos funcionais, como MOS e β-glucanas. As β-glucanas conferem a imunomodulação do sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas que desencadeia um aumento de células fagocíticas, primeira linha de defesa do organismo. As β-D-glucanas da parede das leveduras também são capazes de adsorver diversas micotoxinas, enquanto as α-D-mananas inibem a atividade tóxica destas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos (MADRIGAL-BUJAIDAR et al., 2002).

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas pelo MOS (mananoligossacarídeos), proporcionando uma melhor integridade das vilosidades, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

RumenYeast® é a nutrição ideal para a microbiota ruminal, já que, além de promover a saúde intestinal e fortalecimento do sistema imune, ele atua na manutenção do pH e estimulação das bactérias celulolíticas, proporcionando uma melhor condição do rúmen.

Um estudo realizado no Núcleo de Produção Animal (NUPRAN) na UNICENTRO, Guarapuava – Paraná, pela equipe do Prof. Dr. Mikael Neumann e da Prof. Dra. Heloísa Bertagnon (dados não publicados), avaliou o efeito de RumenYeast® na redução de coliformes totais e Escherichia coli nas fezes e da carcaça bovina no momento do abate após a evisceração.

A suplementação de RumenYeast® nas dietas promoveu redução da excreção fecal de coliformes totais e Escherichia coli, o que favoreceu a menor contaminação destes agentes na carcaça após a evisceração. (Tabelas 1 e 2).

 

 

 

Os nutrientes contidos nos aditivos a base de levedura são utilizados para a multiplicação de microrganismos ruminais, aumentando a fermentação da dieta, outros são absorvidos (fagocitados) estimulando uma resposta imunológica mais eficiente através dos leucócitos (glóbulos brancos) para combater os agentes infecciosos (WILLIANS et al., 1996).

Além de melhorar a resposta do sistema imune dos animais, podem favorecer o crescimento de bactérias benéficas e controlar a população patogênica, como foi mostrado em outro estudo realizado com cordeiros na Universidade Autónoma de Baja California, México, pela equipe do Prof. Dr. Alejandro Plascencia Jorquera (dados não publicados).

Os cordeiros foram divididos em quatro tratamentos:

  • controle;
  • RumenYeast® (3g/cabeça/dia);
  • Levedura viva (Saccharomyces cerevisiae viva – 3 g/cabeça/dia);
  • Levedura Viva + RumenYeast® (1,5 g/cabeça/dia de levedura viva + 1,5 g/cabeça/dia de RumenYeast®).

O teste teve como objetivo avaliar o efeito dos aditivos à base de leveduras sobre a redução da contagem de bactérias ruminais e fecais.

A associação de RumenYeast® com a levedura viva reduziu a contagem de Clostridium aminophilum e E. Coli O 157: H7 ruminal. A redução de algumas bactérias ruminais produtoras de amônia, como Clostridium aminophilum e Clostridium sticklanii, pode ter um efeito importante na melhora da retenção de nitrogênio, como foi observado nos resultados complementares a este estudo, onde houve a redução de N-NH3 ruminal com a suplementação de RumenYeast®, bem como com a associação de RumenYeast® com a levedura viva. A contagem de E. Coli O 157: H7 nas fezes foi reduzida com a inclusão de RumenYeast® na dieta, bem como o mesmo efeito foi observado para associação de RumenYeast® com a levedura viva (Tabela 3).

 

 

A redução estatística do número de UFC de E. coli O157:H7 nas fezes dos cordeiros comprovada pela suplementação de RumenYeast® na dieta é de extrema importância para o controle desta bactéria e da contaminação que pode provocar na carcaça animal. RumenYeast® é um aditivo natural que ajuda no controle de patógenos mesmo em baixas inclusões.

Saúde e nutrição são fatores de extrema importância que influenciam diretamente no controle de patógenos. A produção brasileira, por sua vez, mesmo diante à crise do último ano, conseguiu suprir a demanda e intensificou sua produção neste período turbulento, o que certifica a eficiência de fatores relacionados ao agronegócio e biosseguridade dos produtos. Mesmo assim a segurança alimentar deve ser trabalhada em toda cadeia de produção, pois está diretamente relacionada com a garantia de qualidade do produto final e saúde pública.

A melhora na saúde dos animais proporciona uma melhor produtividade, menos gastos com antibióticos para tratamento dos animais doentes, menor resistência bacteriana por tratamentos incompletos e também, menor transmissão de doenças entre os animais.

Assim, a adoção da suplementação RumenYeast® além de oferecer uma combinação ideal para o rúmen, favorece um melhor controle sanitário e redução dos índices de contaminação refletindo em menores riscos de doenças transmitidas aos consumidores.

 

REFERÊNCIAS:

BRANDÃO, J. L., GUIRRO, E. C. B. P., PINTO, P. S. A., NERO, L. A., PINTO, J. P. A. N. & BERSOT, L. S. Monitoramento de micro-organismos indicadores de higiene em linha de abate de bovinos de um matadouro-frigorífico habilitado à exportação no oeste do Paraná. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v.33(2), p. 755-762. 2012.

DELAZERI, D.; BUZI, K. A.; NEUMANN, M.; ROSSI, P.; ZART, T.; SEIDEL, A. C. Z.; GARBOSA, G.; HINTZ, L. P.; BERTAGNON, H. G. Suplementação com levedura Saccharomyces cerevisae reduz contaminação microbiológica da carcaça em novilhos terminados em confinamento, 2020. Dados não publicados.

GIL, J. A. S. I. Manual de Inspeção Sanitária de carnes. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. 485p.

JORQUERA, A. P. Efeito do RumenYeast® e levedura viva sobre a digestibilidade total da dieta e produção N-NH3, AGV e contagem de bactérias em cordeiros, 2018. Dados não publicados.

WILLIAMS, D. L.; MUELLER, A; BROWDER, W. Glucan-based macrophage stimulators. Clinical Immunotherapeutics, v.5(5), p.392-399. 1996.

ZANELLA, J. R. C. Zoonoses emergentes e reemergentes e sua importância para saúde e produção animal. Pesquisa Agropecuária Brasileira. V.51, n.5, p.510-519. 2016. https://doi.org/10.1590/S0100-204X2016000500011

Autores: Liliana Borges e Melina Bonato
P&D, ICC Brazil

 




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