Taninos no metabolismo de nitrogênio em ruminantes: qual a influência?
 
07 dez 2021

Taninos no metabolismo de nitrogênio em ruminantes: qual a influência?



AUTOR(ES)

Fernanda Gomes

Você já mordeu uma maçã ou uma banana não amadurecida e sentiu uma sensação adstringente (seca e enrugada) na boca? Então, provavelmente, você experimentou taninos. Os taninos são compostos fenólicos encontrados nas plantas presentes em:

  • Cascas de árvores
  • Folhas
  • Frutos

São responsáveis pela adstringência de muitos frutos e outras partes das plantas, com função de defesa contra à herbivoria.

Nos últimos anos, aumentou o interesse no uso de plantas e extratos vegetais ricos em taninos na dieta de ruminantes para melhorar a saúde e o bem-estar animal, a eficiência alimentar, bem como para mitigar o impacto ambiental dos sistemas de produção de ruminantes.

Existem dois grupos de taninos: os taninos hidrolisáveis e condensados. No artigo de hoje, vamos abordar a respeito do tanino condensado (TC) na nutrição de ruminantes.

Embora promissores, os resultados sobre o uso de taninos na alimentação de ruminantes são controversos, resultando em efeitos prejudiciais, inócuos ou benéficos. Vários fatores, como o tipo e a estrutura química dos taninos, a quantidade ingerida, a composição da dieta basal e a espécie do animal, podem contribuir para a resposta inconsistente aos taninos.

Como o tanino influencia o metabolismo do ruminante no rúmen?
A interação entre taninos e proteínas, forma
complexo que no rúmen que permanece estável devido ao pH encontrado nesse ambiente. Entretanto, quando o pH cai abaixo de 3,5 (tal como no abomaso) ou mantém-se maior que 8 (tal como no duodeno) o complexo é dissociado.

Esta ligação reversível da proteína com o tanino, protegendo-a da degradação ruminal, confere ao tanino a característica de bypass, ou seja, proteína não degradada no rúmen.

O destino dos TC depois de ingerido têm efeitos diversos no metabolismo ruminal, principalmente, relacionados à redução na digestibilidade dos alimentos ingeridos. Esse efeito ocorre, principalmente, sobre as proteínas, mas também afetam outros componentes como celulose, hemicelulose, amido e minerais.

Portanto, a ocorrência dos taninos nos alimentos pode ter um benefício nutricional, protegendo parte da proteína da degradação ruminal, podendo ser degradada no duodeno ou no intestino delgado.

Diversos estudos comprovaram que o tanino na dieta dos ruminantes reduzem as concentrações de amônia (N-NH3) no fluido ruminal, melhorando a utilização das proteínas no pós rúmen e reduzindo a excreção de N no ambiente. Os TC podem diminuir as concentrações de N-NH3 no fluido ruminal tanto pela proteção da proteína na formação do complexo, quanto pela ação inibitória do tanino sobre os microrganismos proteolíticos.

Isso é vantajoso, pois há situações em que a quantidade de amônia liberada no rúmen a partir da degradação das proteínas pelos microrganismos ruminais é maior que a capacidade de utilização e incorporação como proteína microbiana (fonte de proteína de maior importância para o ruminante).

Essa amônia excedente é removida do rúmen, excretada na urina ou reciclada para o rúmen. Se parte desse nitrogênio excedente liberado no rúmen for transformado em proteína não degradada no rúmen e absorvido no intestino, influenciaria positivamente o balanço de nitrogênio pelos ruminantes, aumentando o N retido como produto animal e diminuindo as perdas desse nutriente para o ambiente.

Muitos estudos demostram efeitos adversos desse complexo tanino-proteína, diminuindo a digestibilidade desse nutriente e, como consequência, ocorre o aumento da excreção fecal de N. É importante perceber, que as consequências da ingestão de taninos incluem também o aumento da secreção de proteínas endógenas. Portanto, este aumento de nitrogênio fecal pode ocorrer a partir do aumento do N de origem endógena.

Estudos com vacas em lactação, submetidas a dietas com 45 a 180 g.Kg-1 de MS de TC originado do quebracho (Schinopsis lorentzii) e do castanheiro-europeu (Castanea dentata) observaram aumento da excreção fecal de N e diminuição pela urina.

Além disso, os animais que foram alimentados com dietas de menor % de proteína bruta não diminuíram produção de leite quando foi adicionado o tanino a 45 g.kg-1 de MS de TC, além disso, aumentou a eficiência de utilização de N (N no leite/ N consumido), diminuiu o teor de N-NH3 no leite e no fluido ruminal, indicando efeitos benéficos.

Para que seja amenizado os efeitos negativos dos taninos na nutrição dos ruminantes é necessário saber a quantidade máxima que pode ser fornecido aos animais sem que ocorra prejuízos. Apesar das divergentes respostas em relação à quantidade utilizada, foi relatado em diversos trabalhos que quantidades de tanino a partir de 20 g.kg-1 até 50 g.kg-1 da MS é benéfico à alimentação dos ruminantes.

Apesar de muita pesquisa, resultados encontrados sobre os mecanismos pelos quais taninos exercem seus efeitos sobre a nutrição de ruminantes variam consideravelmente. O estudo dos efeitos nutricionais dos taninos é complexo devido a grande diversidade estrutural. Taninos são compostos que devem ser estudados individualmente porque a sua origem, a estrutura química e as propriedades biológicas são muito diversas.

O que fica claro é a relação benéfica do taninos condensados com balanço de nitrogênio no metabolismo de ruminantes, tornando-se um caminho para reduzir a perda de N pelas excretas, otimizando o uso desse nutriente no sistema.

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