Taxas de digestão de amido em grãos usados nas dietas de frangos Taxas de digestão de amido em grãos usados nas dietas de frangos
 
15 abr 2021

Taxas de digestibilidade de amido em grãos usados nas dietas de frangos de corte

A relevância da dinâmica digestiva do amido e da proteína já é bem conhecida. O princípio fundamental é que o equilíbrio apropriado de glicose e aminoácidos deve ser disponibilizado nos locais de síntese de proteínas para impulsionar o desempenho de crescimento eficiente. A digestibilidade do amido e da proteína/aminoácidos são geralmente expressas como coeficientes de digestibilidade aparente determinados no íleo terminal.

A dinâmica digestiva envolvendo o amido pode ser definida como um processo de 3 etapas:

  • digestão de amido e proteína no lúmen intestinal;
  • absorção de glicose e aminoácidos ao longo do intestino delgado, e;
  • sua transição através da mucosa intestinal para a circulação portal.

A glicose é derivada do amido da dieta e os aminoácidos da proteína da dieta; assim, a dinâmica digestiva de ambos os macronutrientes é fundamental. Embora os aminoácidos sejam os “blocos de construção” das proteínas, o custo energético da síntese de proteínas no corpo inteiro equivale a 5,35 MJ/g de proteína em aves. Essencialmente, essa entrada de energia é derivada da glicose, o que enfatiza a importância das taxas de digestão do amido para garantir que a energia adequada esteja disponível nos locais de deposição de proteína.

Conhecer as taxas de digestão do amido em frangos de corte é importante porque há diferenças entre os alimentos nas taxas de digestão do amido. Além disso, os locais de digestão do amido influenciam o desempenho do crescimento dos frangos. Outro ponto relevante é que existem algumas indicações de que a digestão lenta do amido pode ser vantajosa.

As vantagens do amido de digestão lenta ainda precisam ser firmemente estabelecidas, assim como os mecanismos subjacentes. Uma possibilidade interessante é que o amido de digestão lenta pode estar poupando aminoácidos do catabolismo na mucosa intestinal.

Devido a importância do amido na dieta pesquisadores da University of Sydney em conjunto com a University of New England, realizaram um experimento para se conhecer as taxas de digestão de amido em diferentes ingredientes que são comumente usados nas rações de frangos de corte.

No experimento, foram usados um total de 648 pintos de corte machos Ross 308. Eles receberam dietas experimentais de 21 a 28 dias após a eclosão.

Dezenove grãos, incluindo sorgo (7 tipos), trigo (4 tipos), milho (2 tipos), cevada (3 tipos), triticale (2 tipos), aveia e mandioca.

Nos resultados, os pesquisadores não encontraram efeito do tratamento sobre o potencial de amido digestível; no entanto, houve uma tendência de efeitos do tratamento nas taxas de digestão do amido.

As dietas à base de sorgo geraram taxas de digestão do amido mais lentas do que as dietas à base de trigo em 35,9%. A média e o desvio padrão das taxas de digestão do amido para dietas à base de sorgo foram 0,075 ± 0,0435 min-1, o que é indicativo de uma grande variação dentro de um determinado grão de ração.

Houve efeitos significativos no ganho de peso de 21 a 28 dias após a eclosão. As aves que receberam dietas à base de milho superaram suas contrapartes de cevada em 12,2% (681 contra 607 g/ave). Frangos de corte que receberam dieta à base de milho tiveram conversão alimentar mais eficiente do que os frangos que receberam às dietas à base de sorgo em 7,94% (1,518 versus 1,649).

Houve diferenças significativas entre os grãos para ração e, em média, o milho foi numericamente superior suportando um ganho de peso de 681 g/d, consumo de ração de 1.031 g/d com uma conversão alimentar de 1.518. Para os parâmetros de utilização de nutrientes, o milho, foi numericamente superior suportando uma energia metabolizável aparente de 15,16 MJ/kg, uma razão energia metabolizável:energia bruta de 0,815, retenção de N de 59,53% e energia metabolizável aparente corrigida com N de 14,14 MJ/kg.

O maior coeficiente de digestibilidade ileal distal em cada uma das fontes de amido foi de:

  • 0,831 no trigo,
  • 0,867 no triticale,
  • 0,915 na cevada,
  • 0,942 no sorgo,
  • 0,952 na mandioca,
  • 0,959 no milho e
  • 0,987 na aveia.

 

Os autores concluíram que o aproveitamento da dinâmica digestiva amido-proteína na formulação de dietas para frangos de corte aumentará a eficiência da conversão alimentar. Apesar da necessidade de mais pesquisas.

 

 

Para consulta do artigo completo clique aqui
SELLE, Peter H. et al. Starch digestion rates in multiple samples of commonly used feed grains in diets for broiler chickens. Animal Nutrition, 2021.

As informações desse texto foram retiradas do artigo intitulado “Starch digestion rates in multiple samples of commonly used feed grains in diets for broiler chickenscom autoria de:

Peter H. Selleab; Amy F. Mossc; Ali Khoddamiad; Peter V. Chrystalae; Sonia Yun Liuaf
a Poultry Research Foundation, The University of Sydney, Camden NSW 2570, Australia
b Sydney School of Veterinary Science. The University of Sydney, Sydney NSW 2006, Australia
c School of Environmental and Rural Science, University of New England, Armidale NSW 2351, Australia
d Sydney Institute of Agriculture, Faculty of Science, The University of Sydney, Sydney NSW 2006, Australia
e Baiada Poultry Pty Limited, Pendle Hill, NSW 2145, Australia
f School of Life and Environmental Sciences, Faculty of Science, The University of Sydney, Sydney NSW 2006, Australia

 




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